Segunda-Feira, 24 de Janeiro de 2022

Sem investimentos, Correios deixam de ser exemplo de credibilidade




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Outrora uma das empresas estatais de maior credibilidade do Brasil, hoje os Correios carece de funcionários e estrutura, sobretudo nas cidades do interior de Mato Grosso, e não cumpre prazos nem das entregas mais caras.

Perder prazo do protocolo de um documento exigido na faculdade porque os Correios atrasaram a entrega, mesmo tendo optado pelo serviço de Sedex e, claro, pago bem mais caro exatamente para dispor da prometida agilidade e segurança. Ou ainda, receber com duas semanas de atraso aquela encomenda despachada pela irmã que mora em outro estado, cuja chegada era aguardada para uma reunião de fim de semana com amigos.

Esses são alguns dos problemas relatados à equipe de reportagem do DIÁRIO por consumidores de serviços de Correios e Telégrafos em Mato Grosso. Entretanto, esses relatos não foram oficialmente registrados entre as queixas contabilizadas no primeiro semestre deste ano pelo Procon Estadual contra os Correios e Telégrafos em Mato Grosso.

No primeiro semestre deste ano, o órgão recebeu 21 reclamações por extravio e avaria de encomendas e descumprimento de prazo. A estudante Laís Caetano, 28, diz que nem sabia que poderia reclamar dos Correios no Procon. Ela diz aconteceu com ela, este ano, o atraso do documento que deveria protocolar na faculdade.

Ao invés de chegar ao destino em 48 horas, a papelada demorou 5 dias úteis. O pior, observa, é que não tinha outra saída, uma vez que precisava de documentos originais e acompanhados de cópias autenticadas. De acordo com a estudante, essa não é a primeira vez que enfrenta esse tipo de problema. “Talvez eu sofra mais pelo fato de ter meus pais morando em outra cidade e precisar com regularidade dos serviços de postagem”, avalia.

O servidor público José Alberto Serafim de Oliveira, 48, viveu situação similar recentemente. A irmã dele, que mora no Estado do Paraná, lhe enviou alguns produtos de uso pessoal que “nunca chegavam”. “Pensei até que havia extraviado”, recorda. Mas de 30 dias depois da postagem e muitos telefones e monitoramento via internet, conta, recebeu a caixa.

O atraso maior, de quase duas semanas, reclama ele, ocorreu na Central de Distribuição, que fica no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande. José Alberto não sabe por que sua encomenda ficou tanto tempo parada nessa unidade.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Mato Grosso, Edmar Leite, diz que a empresa de Correios está em processo de sucateamento como forma de justificar uma proposta de privatização. De acordo com ele, a carência de funcionários é de pelo menos 400 carteiros, 200 atendentes de balcão e 100 operadores de triagem para a Central de Distribuição e Triagem. No caso dessa Central, Edmar diz que a empresa está transferindo a mão de obra para a iniciativa privada, ou seja, terceirizando.

OUTRO LADO - Em nota, os Correios informam que as entregas de correspondências e encomendas em Mato Grosso estão sendo realizadas normalmente e dentro do prazo. Reconheceu apenas que recentemente ocorreram atrasos pontuais nas entregas de Sedex em decorrência de problemas operacionais. Entretanto, assegura, foram adotadas medidas para resolver a situação.

“Esclarecemos que os Correios estão reavaliando os estudos sobre a necessidade de força de trabalho em cada localidade a fim de melhorar a prestação dos serviços à população e que a contratação de empresa terceirizada para fornecimento de mão de obra se dá dentro dos termos da lei. A previsão legal, continua, “para cobrir férias, licenças médicas e outros afastamentos de empregados efetivos, além de necessidades sazonais como o período da Black Friday, por exemplo”. 


Autor: Alecy Alves com Diario de Cuiabá


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