Terca-Feira, 18 de Fevereiro de 2020

Veja o que levou o fim da nota 10 na ginástica e permitiu mais equilíbrio no esporte




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Perfeita. Esse adjetivo até hoje é usado para descrever Nadia Comaneci, 40 anos depois. Nos Jogos de Montréal, em 1976, a romena atingiu a primeira nota 10 da ginástica. A menina que parecia voar repetiu o feito mais seis vezes só naquela edição olímpica e entrou para a história.

Hoje, a magia da nota perfeita não existe mais. Se perde em emoção, a performance dos ginastas agora tem mais caminhos para evoluir e buscar notas cada vez mais altas.

Existe uma polêmica entre os envolvidos com o esporte de que o fim da nota 10 tenha dificultado o entendimento do esporte pelo público. Mas há um consenso também de que a nota, como é dada hoje, procura ser mais justa com a performance dos atletas.

"O público está cada vez mais interessado na ginástica. Não acho que o fim da nota 10 dificulte o entendimento. Subjetividade sempre vai existir um pouco", afirma Renato Araújo, treinador da seleção masculina do Brasil.

O julgamento atualmente é feito com o somatório de duas avaliações. A primeira define a nota de partida, que reflete a dificuldade dos exercícios apresentados pelo atleta. Quanto mais difícil a série, mais alta será a nota.

A segunda leva em conta a perfeição da execução e parte de 10. A cada erro, é descontada fração de ponto. A queda, erro mais grave, vale um.

"Na nossa cultura existe essa filosofia de que a nota 10 é o máximo. Nota 10 é mais emocionante do que 15 ou 16", diz a árbitra brasileira Yumi Sawasato. "Foi difícil para todos aceitarem. Mas era necessário mudar. Chegamos a ter o cenário em que, em uma competição, a diferença entre o primeiro e o último era de 0,05. Não refletia mais o real nível das performances."

Simona Amanar, dona de sete medalhas olímpicas, três de ouro, viveu essa transição, que aconteceu após a Olimpíada de Atenas-2004. Segundo ela, a mudança nas regras permitiu novas forças no cenário. "Antes, os principais atletas eram da Romênia, Rússia e EUA, em geral. Essa nova regra criou uma uniformidade maior de valores e outros países tiveram espaço para crescer, o Brasil incluído."

A atleta, no entanto, lembra bem como a aura da nota 10 influenciava as ginastas. Ela havia acabado de chegar à equipe principal da Romênia quando sua compatriota Lavinia Miloșovici atingiu a última apresentação perfeita da história, no solo, em Barcelona-1992.

"Eu tinha acabado de entrar para a seleção, conhecido a Lavinia no ginásio, então eu sabia o quanto ela tinha de treinar. Tirar aquele 10 significava repetir a Nadia. Aquilo era fantástico."

"Com certeza [a nota 10] era algo que nos mobilizava. Todo mundo queria atingir a perfeição", completou.


Autor:Eduardo Geraque com UOL


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