Segunda-Feira, 09 de Dezembro de 2019

Nadaf confessa desvio de R$ 7 milhões a mando de Silval Barbosa




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O ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf, admitiu ontem a existência de uma organização criminosa liderada pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) que agia com funções estratégicas para desviar dinheiro dos cofres públicos.

A declaração foi dada em depoimento na audiência de instrução relacionada à ação penal da operação Seven, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) que investigou uma fraude na compra de um terreno pelo governo do Estado na região do Manso avaliado em R$ 7 milhões, embora a área já pertencesse ao Estado.

Desta quantia, Nadaf revelou que R$ 3,5 milhões foram entregues ao proprietário Filinto Correa da Costa, que aceitou participar do esquema fraudulento. Outros R$ 3,5 milhões foram retornados para os cuidados da organização criminosa composta pelo próprio Nadaf, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), os secretários de Estado Marcel de Cursi (Fazenda) e Arnaldo Alves (Planejamento) e o ex-presidente do Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso), Afonso Dalberto, e o procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima.

Nadaf assegurou que a fraude ocorreu para honrar um compromisso político financeiro do ex-governador Silval Barbosa. “Havia a necessidade de complementação de R$ 1,5 milhão para pagamento de uma dívida. Outros R$ 500 mil ficaram comigo e R$ 500 mil foram entregues ao Afonso Dalberto”.

Questionado pela juíza Selma Arruda se o débito de Silval Barbosa fazia referência a alguma dívida de campanha eleitoral, Nadaf preferiu o silêncio. O ex-secretário também se recusou a responder à pergunta do advogado Saulo Gahyva, que representava a defesa do ex-secretário Arnaldo Alves, se a dívida a ser paga era de alguma pessoa física ou instituição financeira.

A magistrada ainda questionou a respeito da estrutura da organização criminosa, qual seria a atribuição de cada um dos acusados. Após uma breve pausa, Nadaf comentou detalhadamente.

“O mais alto da escala era o governador Silval Barbosa e em seguida Pedro Nadaf. O Marcel (ex-secretário de Fazenda) tinha a missão de elaborar leis e dar legalidade ao dinheiro. O Arnaldo (ex-secretário de Planejamento) ajustava o orçamento e o Chico Lima (procurador aposentado do Estado) tinha a responsabilidade de dar legalidade aos documentos”, detalhou.

Os depoimentos da ação penal que são desdobramentos da operação Seven prosseguem nesta quinta-feira (29) com o depoimento do ex-secretário-adjunto José Nunes Cordeiro. Na sexta-feira (30), será a vez do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). 


Autor:Rafael Costa com Diário de Cuiaba


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