Quinta-Feira, 21 de Novembro de 2019

Discussões esquentam a importância pela busca do real espírito natalino




COMPARTILHE

Nesta época é muito comum acalorarem-se as discussões sobre a importância de festejar o Natal, que, afinal, é uma celebração atribuída às religiões cristãs. Sem entrar no mérito da questão, há quem defenda uma visão mais ecumênica, que seja focada muito mais no significado ou simbolismo da data e menos na figura de alguém ou do ato de consumir, como uma forma de resgatar o verdadeiro espírito natalino.

É um preocupação que se verifica inclusive dentre os cristãos. Em 2011, o então cardeal arcebispo de Buenos Aires (Argentina), Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco, aproveitou o fato de estar às vésperas do Natal para dar a sua definição. Baseado numa história em quadrinhos que havia lido, em que uma menina deixava os pais desconcertados ao dizer que não queria presentes, apenas “espírito natalício”, o religioso decidiu lançar a si próprio o desafio.

Ao lembrar-se da caminhada de Maria, José e Jesus Cristo, uma referência ao caminho percorrido pelo povo de Israel, Francisco leva seu pensamento a todos os homens e mulheres, crentes ou não crentes, que percorrem o caminho da vida em muitas procuras, na esperança ou na desesperança. “E em mim brota o desejo de me aproximar, de desejar paz, muita paz, e também de a receber; paz de irmãos, pois todos o somos, paz que constrói. Desejar e receber essa paz que definitivamente possibilita, no meio de tantas névoas e noite, podermos reconhecermo-nos e reencontrarmo-nos como irmãos”, diz.

O rabino Samy Pinto, responsável pela sinagoga Ohel Yaacov, situada nos Jardins, em São Paulo, também aproveita o momento para instigar as pessoas a reconhecerem o que considera o real significado das festividades, ofuscado pelo consumismo. “Em uma sociedade direcionada cada vez mais para o capitalismo, que durante os meses valoriza o sucesso individual, e a felicidade é entendida como meramente satisfação dos prazeres, essas festas das luzes, o Hanukkah e o Natal, devem revelar no final de ano que a felicidade deve ser interior, e não exterior”, alerta.

Ele explica que, no judaísmo, na festa de Hanukkah se fala da vitória da luz sobre as trevas. Luz que seria a verdade que permite, que possibilita, a felicidade interior. “Isso não quer dizer que não se deve dar presentes nessa época do ano. Reconhecer o verdadeiro significado do Hanukkah, do Natal, torna a entrega mais verdadeira, uma manifestação do amor que deve haver entre as pessoas”, frisa. “De acordo com o judaísmo, se costuma presentear uns aos outros, e isso, em hipótese alguma, descaracteriza a felicidade interna. O que está errado é o pensamento que o presente produz o amor, sendo exatamente o contrário. Entregar uma lembrança para alguém é consequência do amor. Quanto mais doamos ao outro, mais o amamos”, acrescenta.

Seguindo numa outra linha, o teólogo Paulo Rocha, diretor da Agência Ecclesia, de Portugal, usa problemas bastante atuais como exemplos da ausência do espírito natalino. “Na geografia da guerra não há Natal. Sobretudo nos conflitos que servem de berço a mais de 500 milhões de crianças porque nascem e crescem entre bombardeiros ou no meio dos escombro... No meio da fome não há Natal. Um drama que se não atinge um bilhão de pessoas, pouco falta, e que contraria a proposta de relacionamento entre os humanos inaugurada há dois mil anos e o respeito por todos os recursos naturais e pela sua distribuição fraternal entre todos os seres”, diz.

Para ele também não há Natal na mobilidade forçada de homens e mulheres que são obrigados a deixar sua terra. A Organização das Nações Unidas para os Refugiados estima que 24 pessoas por minutos são obrigadas a abandonar terras de origem por causa de conflitos armados ou esgotamento dos recursos, exemplifica. “Na escravidão, no racismo, na corrupção, na opressão não há Natal! Também não há Natal na especulação financeira, no jogo das bolsas ou nas pressões de qualquer rating. Ou em projetos pessoais ou empresariais que pretendem impessoalmente conquistar a qualidade de vida através de índices de riqueza”, acrescenta. 

O que eles dizem é que há necessidade de revisão de posturas e prioridades. E este período de festas deveria ser de reflexão em relação ao ano que passou, com o intuito de abrir estrada para um ano melhor e mais amor. E nunca é tarde para isso.

 


Autor:Luiz Fernando com Gazeta Digital


Comentários
O Jornal da Notícia não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros.

Nome:
E-mail:
Mensagem:
 



Copyright - Jornal da Notícia Para reproduzir as matérias é necessário apenas dar crédito ao Jornal da Noticia

<