Quinta-Feira, 20 de Junho de 2019

Arroba de carne volta a cair de valor causando desvalorização no setor




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O preço da arroba do boi à vista registrou a quarta queda consecutiva e o menor valor desde outubro do ano passado. A desvalorização da arroba do boi gordo em abril foi de 1,17% na comparação com março, estabelecendo-se com média de R$ 123,66. Comparando com o preço da arroba em maio do ano passado a queda é ainda maior, chega 5,6%, sobre R$ 131 praticado há um ano. Este movimento deriva da diminuição nos abates, que em abril registrou o menor índice em Mato Grosso.

Já para o consumidor as quedas de preços sobre o quilo da carne comprada no varejo tiveram percentuais quase imperceptíveis. Em abril, o quilo médio dos principais cortes de carne bovina tiveram valor médio de R$ 20,97. Em maio esse valor passou a R$ 20,82, queda até o momento de 0,71%. Comprando o preço médio atual de maio com o mesmo valor adotado há um ano, a retração é de 1,75% ao consumidor. Entre os principais cortes que deram essa média de valor estão: filé mignon, contrafilé, picanha, alcatra, coxão mole, coxão duro, patinho, acém, músculo, costela, fraldinha, lagarto, maminha, cupim, capa de filé e paleta.

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), responsável pelos levantamentos de preços da arroba e dos cortes de carne bovina no varejo, destaca ainda que houve uma queda de 22% no volume de animais abatidos em comparação com março, somando 283,3 mil animais no quarto mês ante 366,4 mil no terceiro mês. Os números comprovam os impactos da decisão dos frigoríficos de suspenderem os abates no Estado, o que prejudicou a cadeia produtiva pressionando o preço da arroba.

O diretor-executivo da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, explica que os números mostram que a indústria atingiu o objetivo, derrubando o preço e manipulando o mercado da pecuária de corte. “Com o pretexto da Operação Carne Fraca, os frigoríficos conseguiram paralisar as atividades para ampliar a oferta de bois e pressionar os preços. Esta ação é possível porque temos um mercado concentrado e controlado por dois ou três grandes grupos, sendo que um deles detém 50% das unidades do Estado”, afirma Luciano Vacari.

PREÇOS - A diferença na evolução de preços na cadeia produtiva da carne bovina é discrepante. Enquanto a carne no varejo registrou alta de 268% desde 2005 e no atacado alta de 175%, a arroba do boi variou 150%.

Se analisados os dados por recortes de tempo, é possível ver que de 2005 a 2008 os preços variavam proporcionalmente nos três campos. A partir de 2008, quando há uma crise no setor, a variação de preço no varejo passa a se distanciar dos demais elos e a partir de 2015 a arroba do boi assume definitivamente a menor escala de crescimento.

“O produtor e o consumidor são os únicos prejudicados neste segmento. Tem setores estão ganhando em cima disso e o pecuarista tem cada vez mais dificuldade de fechar as contas da produção”, avalia Vacari.

Dados do Imea apontam que o custo da cria passou de R$ 80 por arroba em 2009 para R$ 130 em 2016, um crescimento de 62%. No mesmo período, o custo para a engorda 85%, passando de R$ 70 para R$ 130 por arroba.

EXPORTAÇÕES – Baseado em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Imea destaca ainda dados de exportação da carne bovina in natura referentes ao mês de abril. O Brasil obteve uma receita de US$ 292,63 milhões, enquanto Mato Grosso arrecadou US$ 53,06 milhões em abril. “Comparando com março desse ano, observa-se que as exportações mato-grossenses caíram mais que as brasileiras, visto que o escoamento brasileiro recuou 27,49% e o mato-grossense, 39,74%, estes são os menores valores desde fevereiro de 2012. O que podemos concluir de tudo isso se chama ‘Operação Carne Fraca’. Diante das interrupções das compras de diversos países, o Brasil sentiu no mês de abril o impacto que a operação causou, deixando reflexos negativos para o cenário brasileiro. Apesar de tudo isso, o panorama para maio é positivo. O MDIC divulgou a exportação de carne bovina dos quatro primeiros dias úteis de maio, e esses dados já apontam uma recuperação”.

 

 


Autor:Marianna Peres com Diario de Cuiaba


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