Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019

Dono da JBS diz que indicou mato-grossense para cargo no Ministério da Agricultura




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Em sua delação premiada à Procuradoria-Geral da República, o empresário Joesley Batista, sócio da holding J&F, holding que controla a JBS, revelou que atuou diversas vezes com o ex-deputado Eduardo Cunha e o seu operador, Lúcio Funaro, em um esquema de corrupção montado no Ministério da Agricultura para favorecer suas empresas e reverter em propinas pagas ao político e seu braço-direito.

Joesley diz que os dois intermediaram em 2013 a nomeação do mato-grossense Rodrigo Figueiredo para o cargo de secretário de Defesa Agropecuária do Ministério (SDA), departamento responsável pela sanidade agropecuária no país e onde são obtidas as licenças obrigatórias para que as empresas de alimentos atuem tanto no mercado, tanto interno quanto externo.

Figueiredo era ligado a Toninho Andrade, ministro da Agricultura à época e, pelos relatos de Joesley, assinou vários “atos de ofício” que favoreciam a J&F e ainda rendeu propinas no valor total de R$ 7 milhões a Funaro e Cunha. O mato-grossense ocupou cargos de destaque durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando chegou a ser ministro das Cidades, e de Dilma Roussef (PT).

O empresário conta que esse montante de propinas foi especificamente pago pela J&F em contrapartida pela edição de dois atos normativos pela SDA do Ministério da Agricultura: um permitiu a regulamentação das exportações de despojos (partes de animais), caso que ficou polêmico na época e foi bastante criticado por pequenos e médios frigoríficos; e o outro revogou uma portaria ministerial que proibia o uso de um vermífugo de longa duração e assim reestabelecia o uso de vermífugos de prazo curto, “o que evitava dificuldades fitossanitárias na exportação de carnes”.

A questão dos despojos, segundo Joesley, na verdade, foi o único pleito da J&F que Cunha e Funaro conseguiram emplacar no sentido da “federalização da inspeção animal”.

O depoente [Joesley] acabou por solicitar a Lúcio Funaro que conseguisse a federalização do sistema de inspeção animal no Brasil tendo em vista que o caráter federativo [por Estado e município] desse sistema – em que o porte da operação do frigorífico determina se estará sujeito à inspeção federal ou à estadual ou à municipal – cria graves distorções concorrenciais em desfavor das empresas maiores, além de graves riscos à saúde pública”, diz um termo de delação do empresário.

Esse assunto, inclusive, motivou uma discussão acalorada entre Joesley e Cunha no gabinete do então ministro da Agricultura, Toninho Andrade. O ministro precisou apartar a briga para evitar “confrontação física”, pois Cunha se exaltou dizendo que o empresário “apresentava demanda inviáveis e que isso complicaria as coisas para ele [Joesley], insinuando que a dificuldade dessas demandas impedia a obtenção de propinas”.

As propinas eram sempre depositadas numa conta-corrente de Funaro e repartidas com Cunha, segundo Joesley. Mas, curiosamente, uma vez, o empresário revela ter transferido um helicóptero seu, apelidado de “Augusta”, para Funaro, a título de pagamento de propina.

 


Autor:AMZ Noticias com Valor Econômico


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