Domingo, 17 de Novembro de 2019

Cada vez mais noivos optam por barrar crianças em festas de casamentos




COMPARTILHE

Para alguns, elas são sinônimo de fofura e alegria. Para outros, são motivo de preocupação e bagunça nas festas. É a segunda opção que está fazendo a cabeça de casais brasileiros: o veto a crianças nos casamentos, hábito já comum em países da Europa. Cerimonialistas mineiras atestam que a maior parte das festas por aqui se enquadra nessa realidade.

De acordo com Vanessa Lagares, dona de um cerimonial em Belo Horizonte, cerca de 95% dos noivos que ela atende não permitem que os pequenos estejam presentes. “É uma situação que vem crescendo muito nos últimos cinco anos. Os casamentos se tornaram eventos sociais para adultos, que buscam diversão e alegria sem precisarem se preocupar com a segurança e o bem-estar das crianças”, afirma.

Nos casamentos que organiza, Júlia Alves, que também é cerimonialista e está há 15 anos no mercado de eventos, conta que cerca de 55% dos casais fazem o mesmo pedido. “No nosso cerimonial essa realidade se tornou crescente nos últimos dois anos. São casais que já chegam enfatizando que a festa não vai contar com a presença de crianças, por causa de fatores como local, estrutura, horário e atrações”, explica.

Entre pais e mães convidados, há aqueles que são a favor do veto. “Muitas vezes, os locais não oferecem estrutura para as crianças. E mais importante ainda é a segurança. Não dá para ir a uma festa se divertir e voltar para casa com uma criança machucada”, afirma Simone Tolfo, 42, que tem uma filha de 6 anos. Ela conta que, em 2014, foi a uma festa com o marido, Cláudio Tuoni, 43, na qual a presença dos pequenos era proibida. “No início, ficamos chateados, mas fomos porque eram amigos nossos. Quando chegamos ao lugar – um píer à beira-mar –, percebemos que a Sofia poderia correr risco de acidente. Desde então, mudamos nossa opinião quanto a isso”, revela Simone.

Mãe de uma menina de 3 anos e de um menino de 6, Caroline Pacheco diz que ela e o marido receberam convites individuais para uma festa de casamento e não levaram os filhos. “O próprio modelo de convite nos fez entender que a presença requisitada era somente a nossa, mas nem por isso deixamos de ir. Esse tipo de festa não tem nada a ver com o universo infantil, acaba se tornando uma dor de cabeça para os pais e para as crianças”, declara Caroline.

Do outro lado, existem aqueles que veem a prática como algo negativo, como Poliane Lopes, que tem uma menina de 4 anos. “Nunca aconteceu comigo, mas eu deixaria de ir se não pudesse levar minha filha. Não concordo com esse tipo de restrição. São os pais que decidem o que desejam fazer e não o evento”. Poliane afirma que foi a um casamento recentemente, no qual o casal disponibilizou um espaço kids e um quarto para os bebês de colo dormirem, acompanhados por monitores infantis.

Essa opinião contrária à proibição de crianças é endossada pela advogada Renata Monte Alto. “Onde meus filhos não podem ir, eu também não vou”, diz, de forma categórica. “Há uma grande diferença entre eu querer levar e eu ser proibida de levar. Afinal, é direito dos pais escolher se devem levar ou não”, afirma. Mãe de uma menina de 1 ano e de um menino de 3, ela diz que nunca passou por esse tipo de situação, mas deixaria de ir a um casamento se os filhos não fossem convidados.

Opinião. E mesmo com o aumento no número de casais que preferem festejar sem os pequenos por perto, a maior parte das pessoas ainda parece não concordar com essa postura. Em uma enquete realizada pelo portal O Tempo, 67% dos leitores se disseram contrários a essa conduta.

Ainda que possa dividir pais, mães e noivos, a prática, segundo a ótica jurídica, não se configura como abusiva. Segundo Sofia Miranda Rabelo, professora de direito de família da PUC-MG, a legislação brasileira não prevê orientação para como noivos e convidados devem proceder, e muito menos algum tipo de punição. “O que temos é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garante a proteção e a integridade da criança e do adolescente. Nesse sentido, se o local do casamento não é adequado para receber bebês e crianças, trata-se de uma proteção para com elas”, declara.

A especialista explica que, no final, esses são fatores exclusivamente de esfera privada, cabendo aos noivos decidir quem entra ou sai do local de festividade, e, consequentemente, cabe ao pai e à mãe optar por ir ou não. “São situações definidas por escolhas do casal ou dos pais, literalmente”, finaliza Sofia.

 


Autor:AMZ Noticias com G1


Comentários
O Jornal da Notícia não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros.

Nome:
E-mail:
Mensagem:
 



Copyright - Jornal da Notícia Para reproduzir as matérias é necessário apenas dar crédito ao Jornal da Noticia

<