Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020

Mulher descobre quem é o estranho que visitou o túmulo de seu irmão por 70 anos




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Por muitas décadas, um mistério rondou a população da vila de Prestbury, localizada ao sul do Reino Unido. Após a morte do escoteiro Karl Smith, em 1947, seu túmulo foi constantemente tomado por presentes e mensagens misteriosas.

A irmã do garoto, Ann Kear, jamais conseguiu desvendar a identidade do visitante do sepulcro, até que sua história chamou a atenção da jornalista Camila Ruz, da BBC. Juntas, as duas seguiram a investigação. E as descobertas realizadas motivaram a criação de um documentário: The Stranger at my Brothers Grave (O Estranho no Túmulo do Meu Irmão).

Karl morreu aos 12 anos. Quando jovens do acampamento de escoteiros decidiram mergulhar no mar da praia de Oxwich VayKarl, no País de Gales, ele foi o único que não retornou. E assim que ele foi enterrado, sua lápide se tornou lar de flores, poemas e presentes que ninguém da família sabia a origem.

“Quando venho, fico me perguntando o que vou encontrar aqui. E se alguém passa e me cumprimenta, eu já penso: é você? é você?”, comentou Ann à BBC, enquanto estava no cemitério. “Essas três hortênsias e a rosa, eu juro, não estavam aqui no domingo. Ou seja: alguém esteve aqui desde que eu coloquei minhas flores para ele no domingo”, acrescentou.

E os presentes, por vezes, são bem curiosos. A irmã afirma já ter encontrado, por exemplo, uma espiga de milho e uma pena de faisão. Ela afirma que sua mãe sempre comentou que o menino era uma criança muito querida, pois “sempre tinha tempo para falar com os idosos”. Ann, contudo, tem poucas lembranças dele, pois tinha apenas 7 anos quando ele faleceu. Ainda assim, por anos, ela sempre quis desvendar o mistério: “Seria incrível poder descobrir isso”.

Um verdadeiro mistério - “Deixei uma mensagem para a pessoa perguntando se poderia falar com ela. Deixei também um recado na igreja para ver se alguém se manifestava, e nada”, comentou Ann, que por anos fez todo o esforço possível para descobrir quem era a pessoa misteriosa. Antes do contato com a BBC, ela já havia apelado a rádios e a outros veículos da imprensa britânica. Mas nunca obteve resultado.

Após a morte do menino, a mãe da dupla recebeu mais de cem cartas de condolências. E todas ressaltavam a tragédia, mesmo que não conhecessem o garoto. Isso deixava Ann ainda mais intrigada.

Moradores da região que ajudam na busca têm seus palpites. Vizinhos acreditam se tratar de alguém do colégio ou do grupo de escoteiros. Outras pessoas afirmam, pelas cartas, que o visitante anônimo é conhecedor e amante da literatura britânica – as cartas contém poemas.

Décadas de busca - Em meio à investigação, Camila teve a ideia de checar a lista de todas as pessoas que estavam presentes no enterro de Karl. E sua busca a levou a um homem que estava junto a ele durante o afogamento. O rapaz, inclusive, foi testemunha na investigação policial da época.

Ao ser procurado – e encontrado – o homem admitiu que, por anos, visita o túmulo com certa frequência. Por um convite da jornalista, ele aceitou se encontrar com Ann.

Ronald Westborough, de 84 anos, afirmou que por todos esses 70 anos, sequer soube que Karl tinha uma irmã. E tampouco ele estava ciente de que ela o procurava. Ele e o menino se conheceram e se tornaram amigos no grupo de escoteiros.

Ronald contou que no dia do mergulho, somente Karl não voltou da água. E quando ele o encontrou, o irmão de Ann estava de cabeça para baixo flutuando no mar. Westborough e um outro escoteiro o retiraram de lá. “Coisas assim ficam para sempre na sua cabeça. É horrível”, disse o idoso.

Nem todos os mistérios foram resolvidos - A essa altura do campeonato, parece que tudo se resolveu, não é mesmo? Bom, na verdade, não é bem assim!

Por ser o amigo mais próximo de Karl, Ronald nunca o esqueceu. Por tal, sempre fez questão de visitá-lo. “Falo com ele e pergunto: oi Karl, como você está? Um dia subirei aí e te encontrarei aí em cima”, diz.

E a amizade entre os dois comoveu Ann, que afirmou ter sido um “prazer imenso” conhecer Ronald. “É muito bom saber que existe alguém aqui com quem eu ainda posso falar sobre isso”.No entanto, o escoteiro afirmou que sempre leva flores e alguns presentes para o amigo falecido. E nada mais do que isso. Assim, um mistério ainda permeia no ar: quem estaria levando todos os poemas?

 


Autor: Redação AMZ Noticias


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