Quinta-Feira, 22 de Agosto de 2019

Produtor paulista investe em cultivo de variedades de arroz preto e vermelho




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O engenheiro agrônomo Omar Vieira Villela, de 64 anos, nunca entendeu muito bem por que o brasileiro só come arroz branco agulhinha. Nascido em Aparecida do Norte, cidade paulista em pleno Vale do Paraíba, ele cresceu em uma região tradicional no cultivo de arroz, onde sobravam variedades. “O plantio começou em 1905, mas ganhou impulso a partir de 1927 pelas mãos dos monges trapistas franceses que se instalaram aqui”, conta.

O Vale do Paraíba sempre foi pródigo em produzir grãos extremamente aromáticos, e o arroz vermelho sobressaiu como o tipo mais ligado àquele pedaço de terra. O relevo e o clima do vale são especialmente favoráveis à cultura, já que o caudaloso Rio Paraíba facilita a manutenção dos campos alagados. O Sítio Brejão, que pertence à sua família há três gerações, fica a apenas 200 metros da margem.

Para Omar, a especialização em arroz acabou sendo uma consequência natural. Como pesquisador da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, ele começou, ainda na década de 1990, a conduzir um cuidadoso trabalho de seleção das variedades de arroz do Vale do Paraíba. Mas as novas linhagens ficaram na gaveta por cerca de uma década. Na época, ninguém falava de arroz especial no Brasil.

“Nos anos 1970, o governo até tentou introduzir uma variedade branca mais aromática, mas a rejeição foi grande. As donas de casa reclamavam do excesso de aroma, e a ideia acabou abandonada”, afirma. A proximidade da aposentadoria, no entanto, fez o pesquisador pensar no assunto novamente. “Como tenho um olho clínico danado e consigo reconhecer tipos diferentes no meio dos demais, comecei a selecionar alguns deles para plantar. Mas era um hobby, nem pensava em lançá-los no mercado.”

Omar pode não ter planejado, mas acertou em cheio. A pesquisa deu tão certo que, em 2010, ele associou-se ao filho, o psicólogo Felipe Stiebler Villela, de 32 anos, e fundou a Alto do Marins. O nome faz referência ao Pico do Marins, um dos mais altos da Serra da Mantiqueira, visível de toda a propriedade, localizada em Canas (SP). O arroz preto, obtido a partir daquela população original que pertencia ao banco de germoplasmas da Embrapa, foi o primeiro a ser lançado – a adaptação levou exatos oito anos.

Entre 2010 e 2013, a Alto do Marins vendeu o arroz preto exclusivamente a granel. As vendas se concentravam na zona cerealista de São Paulo e ficavam a cargo do terceiro sócio, Francisco Cândido dos Reis Neto, de 36 anos, que já tinha experiência no setor de vinhos e assumiu a distribuição. “Eu colocava as sacas na caminhonete toda semana. Levava 600 quilos de uma vez e vendia tudo”, lembra. 

O trio logo entendeu que seria preciso aumentar o portfólio e agregar valor aos produtos para a empresa crescer. Foram lançados o arroz miniarbóreo, o jasmine integral e o arbóreo integral. Todos passaram a ser embalados em sacos de 1 quilo fechados a vácuo, dentro de caixas de papelão com a foto da lavoura.


Autor:AMZ Noticias com Assessoria


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