Segunda-Feira, 17 de Janeiro de 2022

Sociedade Civil se organiza para monitorar impactos das obras da Copa Pantanal




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Será lançado neste sábado, 24, o Projeto “Afinal, a copa é para o quê e para quem? Processo de produção e troca de conhecimento em tempo de desiformação” que será executado pelo Comitê Popular da Copa de Cuiabá, que reúne integrantes de movimentos sociais e pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso, com o objetivo de monitorar os impactos socioambientais das obras da Copa do Mundo de 2014. O lançamento será às 16h no Centro de Cultura Popular do Parque Geórgia, um dos bairros que sofrerá com os impactos das obras de mobilidade urbana.
•          Os bairros Castelo Branco, Renascer, Pedregal e Bela Vista também estão enfrentando problemas com as futuras remoções e desapropriações, e serão alvos do mesmo evento, que se repetirá em outros bairros em que estão previstas desapropriações e impactos socioambientais.
•          Durante o lançamento serão apresentados dados da Secopa acerca das obras naquele bairro, a fim de conscientizar a população de seus direitos frente às mudanças previstas e da importância da organização popular para cobrar o Executivo a lisura de todos os processos legais.
•          Também serão apresentados documentários na forma de curtas-metragens produzidos por coletivos independentes de outras cidades-sede da Copa que tratam do tema das remoções e desapropriações. Os filmes abordam iniciativas da sociedade civil para divulgar situações de injustiça e os conflitos de interesses entre população, empresários, empreiteiras e governo nesse cenário.
•          Projeto contemplado
•          O projeto “Afinal, a copa é para o quê e para quem? Processo de produção e troca de conhecimento em tempo de desiformação” proposto pelo Comitê e aprovado pelo edital do Fundo Brasil de Direitos Humanos, era direcionado às cidades-sede da Copa do Mundo, com o objetivo de ajudar grupos sociais no controle público e na mobilização para as questões relacionadas aos Mega Eventos e a Copa do Mundo.
•          De acordo com o projeto, o Comitê Popular da Copa é responsável por realizar oficinas de audiovisual nas comunidades atingidas. Dessa maneira, os próprios moradores dos bairros ajudarão a contar suas histórias em pequenos filmes sobre os impactos socioambientais, partindo da perspectiva local. Esses filmes resultarão no documentário final que será lançado junto a população de Cuiabá.
•          A proposta de trazer os moradores para a liderança dos processos de resistência é uma das características principais do projeto. “O objetivo é despertar nestes atores sociais a confiança na capacidade de resistência autônoma a empreendimentos globais que sejam maléficos aos interesses de suas comunidades”, explica o estudante Edzar Allen, um dos militantes do Comitê.
•          Articulação Nacional
•          Cuiabá não está isolada nesse panorama. Tem em comum com as outras cidades-sede a repentina mudança na rotina da população por conta de obras de mobilidade, a expectativa com um megaevento e os claros impactos em bairros de periferia. No entanto, tem em comum também a iniciativa da sociedade civil em monitorar estes impactos e produzir ações de resistência.
•          As 12 cidades-sede possuem Comitês Populares, que se articulam nacionalmente em um fórum chamado Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa e das Olimpíadas. A organização social na capital mato-grossense ainda é incipiente se comparada a grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e até cidades médias como Fortaleza e Belo Horizonte. Mas as experiências dessas sedes são importantes para parametrizar as ações locais.
•          “Estamos correndo atrás de produzir informações sobre o que acontece com aquelas populações ‘invisíveis’ aos olhos do governo, da mídia e das empreiteiras”, explica o Jornalista Caio Bruno, também militante do Comitê da Copa. “As iniciativas que conhecemos de outras cidades nos mostram como é importante ajudar estas comunidades a se organizar, pois o que vemos são remoções forçadas por interesses financeiros e pela especulação imobiliária, desrespeitando Direitos Humanos e Civis sem qualquer explicação ou resistência”, finaliza.


Autor: Edzar Allen


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