Terca-Feira, 04 de Agosto de 2020

Ex-secretário afirma que Taques pediu para "facilitar" licitações para pagar dívidas




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O ex-secretário estadual de Educação, Permínio Pinto, acusou o governador e candidato à reeleição em Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), de participar de esquema de fraude em contratos para beneficiar empreiteiras em troca de propina para quitar dívidas da campanha eleitoral de 2014. Em uma conversa no WhatsApp, o chefe do Executivo teria pedido para que ele facilitasse licitações, com o objetivo de beneficiar os seus credores. O tucano negou as acusações. As informações são da Folha de São Paulo.

Em seu acordo de colaboração premiada, homologado pelo ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-secretário explica que tratou de “algumas licitações para serem direcionadas com o próprio governador”, como diz trecho do documento. Taques teria total conhecimento do esquema.

Mensagens do WhatsApp foram entregues aos investigadores. Nelas, o candidato tucano aparece pedindo para que Permínio facilitasse nas licitações para beneficiar seus credores. O empresário Alan Malouf, outro que firmou acordo de colaboração premiada e o ex-gestor da Casa Civil e primo do governador, Paulo Taques, seriam responsáveis para que juntos com os demais secretários "encontrassem uma forma de captar recursos para quitar dívidas de campanha deixadas para trás".

"Os secretários mais próximos do Alan Malouf ficaram sob o seu comando, como eu, o Júlio Modesto (ex-secretário de Gestão) e Paulo Brustolin (ex-secretário de Fazenda). E outros ficavam ligados ao Paulo Taques", declarou o ex-secretário. Permínio foi preso em julho de 2016 na Operação Rêmora, do Ministério Público de Mato Grosso, acusado de integrar um esquema de fraudes e direcionamento de 23 licitações da Secretaria de Educação para construção e reformas de escolas, orçadas no total em R$ 56 milhões.

Réu confesso, Permínio era chefe da pasta na época e diz ter atuado na execução de contratos, cobrando propina das empresas vencedoras. O delator também acusa o líder tucano na Câmara dos Deputados, Nilson Leitão (PSDB), de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Leitão, que é candidato ao Senado Federal por Mato Grosso, teria indicado Permínio para que ficasse na pasta. Ele ficaria com 25% da propina dos esquemas na Secretaria de Educação, conforme a delação. Ele ainda teria participação em outros esquemas de caixa dois, que foram detalhados pelo ex-secretário.

Em resposta à Folha, o advogado de Permínio, Artur Osti, não se manifestou. Em nota, afirmou que aguarda a conclusão da ação penal em que o delator é réu. Pedro Taques negou "veementemente ter qualquer envolvimento no esquema". Segundo ele, todas as movimentações financeiras da campanha de 2014 foram registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

O deputado federal Nilson Leitão (PSDB) disse deixar à disposição da Justiça a quebra de seu sigilo e ressaltou que ao longo de toda sua vida pública “nunca solicitou recursos ilícitos ou pediu para que alguém o fizesse em meu nome". A defesa de Alan Malouf disse não irá se manifestar sobre a homologação do acordo do ex-secretário Permínio Pinto, mas afirma que ele já confessou o caixa dois na campanha de Taques.

A defesa de Paulo Taques disse que ele "nunca tratou do referido assunto". Já Júlio Modesto não quis comentar o assunto. Paulo Brustolin não foi localizado pela reportagem.


Autor: Wesley Santiago com Olhar Direto


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