Segunda-Feira, 16 de Setembro de 2019

Grupo de empresários investiu cerca de R$ 7 milhões no caixa 2 de Pedro Taques




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Um grupo de empresários (formado por Marcelo Maluf, Juliano Bortoloto da Todimo, Erivelto Gasques da City Lar, Fernando Minosso e Alan Malouf) ficou responsável por aportar R$ 7 milhões, através de ‘Caixa 2’ para saldar dívidas da campanha do governador Pedro Taques (PSDB), em 2014. A informação foi revelada em delação premiada de Alan Malouf, que teve o sigilo suspenso nesta sexta-feira (19), pelo ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STF), Marco Aurélio.

Malouf também entregou lista com o que ficou para ser pago após o pleito eleitoral. Uma terceira lista mostra de arrecadação de aproximadamente R$ 7 milhões.

Em uma reunião, o governador Pedro Taques manifestou a preocupação em quitar o referido saldo, pois não queria deixar questionamento algum acerca do cumprimento das obrigações assumidas junto aos fornecedores da campanha. Ficou pactuado que grupo pagaria as despesas de restos a pagar e que tais valores se dariam a título de empréstimo a favor do tucano, cujos juros definidos eram de 1,5% mensais.

Além destes valores, ocorreram pagamentos por fora no decorrer da campanha eleitoral. “Ocorre que o aporte por fora em maior quantidade ocorreu no final da campanha, mas também ocorreram pagamentos por fora em seu caminho”, diz trecho da delação. Planilhas que estão anexadas na delação demonstram uma espécie de fluxo de caixa, em períodos distintos, mas que demonstram alguns aportes de dinheiro não declaradas e saídas também não declaradas.

“Ressalta por fim, acreditar que o grupo de empresários já citado (...) aportou cerca de R$ 7 milhões por fora na campanha ao governo de Pedro Taques”, diz outro trecho da delação. Estes números são aproximados, já que somente Júlio Modesto saberia exatamente os recursos que efetivamente entraram na campanha.

Somente Alan Malouf teria aportado R$ 2,5 milhões, através de ‘Caixa 2’. “Quanto aos demais empresários do grupo, os valores aportados por fora, constam na planilha que já foi juntada no anexo, já que não sabe informar com exatidão quanto cada um aportou, sendo que as informações constantes na planilha foram lançadas por Júlio Modesto, podendo existir valores que não se encontram na planilha e não é de conhecimento do Peticionante”, aponta outro trecho.

Júlio Modesto saberia, ainda conforme o delator, de mais doações que foram realizadas, como os casos de doadores do agronegócio, vez que o Peticionante não tinha acesso a estes doadores, que geralmente tratavam com o empresário Eraí Maggi.

A denúncia -  Em 19 de abril de 2018, foi homologado o acordo de delação premiada, firmado entre o Ministério Público Federal e Alan Ayoud Malouf, com a finalidade de obter elementos de prova contra os investigados na Operação Rêmora, conduzida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

No requerimento de homologação do acordo, o Ministério Público Federal esclareceu que o relator revelou dados de um esquema de arrecadação de verbas, captadas mediante a doação de empresários, e a formação de chamado caixa dois, destinadas à campanha eleitoral de Pedro Taques ao Governo do Estado de Mato Grosso, em 2014.

Segundo asseverou, o retorno aos doadores consistiria na celebração de contratos, regulares ou não, com o Estado de Mato Grosso. O MPF também destacou a existência de vinte cadernos anexados ao acordo de colaboração premiada, nos quais está descrita a interlocução do delator com o governador e outras autoridades que detêm a prerrogativa de serem processadas no Superior e no Supremo, entre elas o deputado federal Nilson Leitão.

Malouf ainda apontou um esquema de desvio de recursos públicos, por meio de fraudes a licitação, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer de Mato Grosso, durante a gestão do então secretário Permínio Pinto Filho.

Outro lado - Confira abaixo a íntegra da nota emitida pela assessoria do governador Pedro Taques:  Conforme já declarado desde 2016, o governador Pedro Taques nega a prática do chamado “Caixa 2” em sua campanha eleitoral ao Governo de Mato Grosso em 2014 e tampouco autorizou vantagens indevidas a qualquer empresa durante o exercício do mandato. Apesar de citado por delator em acordo de delação premiada, Taques não é réu no processo da chamada “operação Rêmora” e terá direito a ampla defesa nos autos. O governador já constituiu advogados para atuar no processo e garantir que a verdade prevaleça.


Autor:Wesley Santiago com Olhar Direto


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