Sábado, 21 de Setembro de 2019

Promotor diz que chacinas no Pará se tornaram normais e já é comum ver corpos no chão




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Capital do Pará, a cidade de Belém enfrenta uma guerra entre facções criminosas e milícias comandadas por policiais e ex-agentes de segurança cujo resultado são chacinas e mortes em série. A afirmação é do promotor militar Armando Brasil, responsável do Ministério Público por investigar má conduta de policiais militares a atuação de milícias armadas no Estado. "Hoje, é normal andar pela cidade e ver corpos pelo chão", diz ele, de 48 anos de idade, 17 dos quais atuando na Promotoria Militar.

No final de semana anterior às eleições, 25 pessoas foram mortas na região metropolitana de Belém entre a noite do dia 19 e a manhã do dia 21 - a média diária de mortes em 2017 foi de 2,3 casos. Em entrevista à BBC News Brasil, o promotor afirma que Belém vive uma situação "caótica" em meio à briga pelo controle de bairros pobres e do tráfico de drogas.

Entre 2007 e 2017, a taxa de homicídios no Pará aumentou 96%, subindo de 27,17 para 53,4 mortes violentas para cada 100 mil habitantes. Embora esteja em ligeira baixa neste ano, a taxa cresceu 29% entre 2012 e 2017, durante a gestão do atual governador Simão Jatene (PSDB). São Paulo tem o menor índice do país: 11,10.

Entre as capitais, Belém tem a terceira pior taxa - 67,5 por grupo de 100 mil moradores -, perdendo apenas para Rio Branco e Fortaleza, primeira e segunda colocadas, respectivamente. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Nas ruas de Belém, são costumeiras as notícias de chacinas ou assassinatos de pessoas comuns que apenas passavam pelas ruas. "Um bairro sem polícia, com roubos e traficantes, passa a ser ocupado por milicianos que oferecem segurança. A lógica é essa", diz.

No dia 24 de outubro, três dias depois do final de semana violento, oito pessoas morreram e três ficaram feridas quando dois motoqueiros abriram fogo em uma rua do bairro Tapanã, periferia da cidade. Uma das vítimas era o gari Sávio Miller Silva da Conceição, de 22 anos, que tinha saído de casa para comprar açaí para o filho, segundo relatos de testemunhas.

A chacina ocorreu cinco dias depois do sargento da PM João Batista Menezes Dias ter sido assassinado no mesmo bairro - após o crime, a família do policial precisou fugir da área por sofrer ameaças. A polícia agora investiga se o ataque a pedestres teria sido uma retaliação pela execução do agente.

Essa característica, morte de policial seguida por chacina, é recorrente em grandes cidades do país, como São Paulo e Rio de Janeiro. Agora, também tem se repetido na capital do Pará. Em abril, nove pessoas foram mortas por motoqueiros horas depois do assassinato de um PM.

Nos dias 20 e 21 de janeiro do ano passado, mais uma ocorrência semelhante: 30 pessoas foram executadas horas depois do PM Rafael da Silva Costa ter sido morto com um tiro na cabeça no bairro de Cabanagem, também na periferia.

Em 2015, a Assembleia Legislativa do Pará realizou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as milícias. O relatório apontou que policiais aposentados e também da ativa comandam grupos armados em bairros da periferia.

Segundo o documento, um dos grupos era chefiado pelo policial militar Antônio Marcos da Silva Figueiredo, conhecido como cabo Pet. A quadrilha dele vendia "segurança" particular para comerciantes do bairro do Guamá, um dos maiores de Belém.

Em novembro de 2014, Pet foi assassinado por um grupo de traficantes. Horas depois, mais 10 pessoas foram executadas em suposta retaliação, episódio historicamente conhecido como "Chacina de Novembro".

Por outro lado, a facção Família do Norte hoje comanda o tráfico de drogas na cidade, mas também há relatos da presença do PCC. Segundo o promotor militar Armando Brasil, líderes de facções têm ordenado a morte de PMs de dentro das prisões - matar um policial e roubar sua arma seria uma das portas de entrada do grupo criminoso.

Neste ano, 40 policiais militares do Pará foram assassinados com características de execução ou latrocínio (roubo seguido de morte) - em 2017 foram 49. Além do consumo interno, o Pará tem se tornado rota de saída de drogas do Brasil. O Estado tem um dos maiores portos do país, em Barcarena, região metropolitana de Belém.

Esse caldo de milícias e facções disputando espaços tem causado centenas de mortes em Belém, diz Armando Brasil. Muitas vezes, afirma o promotor, as vítimas são pessoas comuns sem passagem pela polícia.

Em contraponto, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará afirma que os homicídios diminuíram 5% em 2018 em comparação com o ano passado. De janeiro a 6 de novembro no ano de 2017, houve registros de 3.263 casos no Estado. Já em 2018, o número foi de 3.166 ocorrências.

O governo do Estado afirma, ainda, que "tem trabalhado fortemente para coibir a criminalidade no Estado com ações preventivas, repressivas e de investimentos". Diz que, neste ano, 2.849 novos policiais militares e 616 policiais civis entraram em serviço.


Autor:AMZ Noticias com Diário do Pará


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