Terca-Feira, 24 de Novembro de 2020

Tempo de Natal: Pará registra 4,3 milhões de habitantes vivendo em situação de pobreza




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Mais da metade da população do Pará continua a passar o mês com menos de meio salário mínimo e, por isso, é forte candidata a passar fome. As informações constam no Cadastro Único, do Governo Federal, e foram atualizadas na última sexta-feira (21). Ao todo, neste 25 de dezembro, dia de Natal, 4.300.378 paraenses estão sobrevivendo em lares onde a renda média por pessoa não chega R$ 477. Em termos percentuais, são 50,5% dos 8.513.497 habitantes do estado abaixo da linha da pobreza.

O Governo do Estado conhece essa situação tão bem que, anualmente, elabora um “Mapa da Exclusão Social do Pará”, mas não divulga amplamente seus números porque a vergonha é escalar. Na edição do mapa deste ano, que compila vários indicadores (educação, saúde, saneamento básico, segurança, geração de emprego e renda, pobreza), o estado se encontra em franco retrocesso, inclusive com queda na expectativa de vida, exaustivamente já anunciado por nossa reportagem.

Em 2013, segundo o documento do Governo do Estado, um paraense vivia em média 72,96 anos; em 2017, a esperança de vida média foi derrubada para 72,58 anos. Na folha 7 do Mapa da Exclusão Social do Pará, que tem 98 páginas, diz-se que a “expectativa de vida é um indicador que envolve múltiplos fatores na sua determinação, na medida em que sua evolução está relacionada a diversos condicionantes que interferem direta e indiretamente no desempenho das taxas de mortalidade”.

Na prática, faltou assumir que os tais “diversos condicionantes” têm impactado negativamente o desenvolvimento do Pará e, de quebra, contribuído para a falência social do estado, que está longe de atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), previstos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Municípios - Na nova rodada de contagem do Governo Federal, os municípios com os maiores bolsões de pobreza, em que pessoas vivem sem sequer meio salário por mês, são Belém (489 mil pessoas), Ananindeua (185 mil), Santarém (177 mil), Abaetetuba (106 mil), Marabá (95 mil), Cametá (89 mil), Castanhal (82 mil), Bragança (75 mil), Breves (75 mil) e Parauapebas (64 mil). Juntos, esses dez municípios respondem por um terço da pobreza do Pará e poderiam erguer, juntos, uma cidade do tamanho de Belém só com pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Proporcionalmente, entretanto, a pobreza tem taxas amenas em relação ao restante do estado nos municípios de Parauapebas (31,5%), Belém (33%), Marabá (34,5%) e Ananindeua (35%). Por outro lado, Breves (74% de pobres na população total), Abaetetuba (68%) e Cametá (65%) detém percentuais elevadíssimos.

Já em termos percentuais, os municípios de Curuá, Jacareacanga, Senador José Porfírio, Prainha, Santarém Novo, Faro, Mojuí dos Campos, Mocajuba, Gurupá e São Sebastião da Boa Vista mostram proporções elevadíssimas de baixa renda. Em Curuá, consta que os cidadãos de baixa renda são 200% da população. Na prática, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) conta 28,5 mil pobres, enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra apenas 14,2 mil habitantes no município. Situação semelhante é vista nos municípios de Jacareacanga (147,5%), Senador José Porfírio (111%) e Prainha (102%), onde o MDS conta mais pessoas pobres que a estimativa da população do IBGE.

Em Santarém Novo (96%), Faro (90%), Mojuí dos Campos (87%), Mocajuba (87%), Gurupá (85%) e São Sebastião da Boa Vista (85%), as taxas de empobrecimento também são elevadíssimas e superam 80% do total da população. Vale destacar que, segundo as contas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas viver com o básico era, em novembro, R$ 3.959,98. A ceia do Natal nunca antes foi tão inatingível.  


Autor: AMZ Noticias com Zé Dudu


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