Segunda-Feira, 27 de Maio de 2019

Bebê de 9 meses é suspeito de sarampo em Tangará da Serra e autoridades entram em alerta




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Após registrar casos de sarampo desde 2018, o Brasil perde a certificação de país livre da doença, conferido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). O certificado havia sido obtido em 2016. Para perdê-lo, é preciso haver transmissão sustentada, ou seja, a ocorrência de um mesmo surto por mais de 12 meses. Em Mato Grosso, um caso suspeito da doença em um bebê de 9 meses é investigado em Tangará da Serra (240 quilômetros de Cuiabá). Não tratada devidamente, a doença pode levar à óbito.

Agora, o Ministério da Saúde informou que iniciará o plano para retomar o título dentro dos próximos 12 meses. “Iniciamos a gestão, no atual governo, com taxas de imunização muito baixas. Elas atingiram um pico em 2003, mas, no geral, de lá para cá caíram ano a ano até chegarem perto de 80% no ano passado. Não é o patamar ideal. Temos que elevá-la acima a 95%”, afirmou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Segundo o ministro, o plano consiste em encaminhar medidas importantes ao Congresso Nacional, como a exigência do certificado de vacinação, não impeditiva, de ingresso na escola e no serviço militar. “Reforçaremos, ainda, o monitoramento da vacinação, por meio dos programas de integração de renda e como norma para os trabalhadores de saúde”, afiançou.

As ações fazem parte de um conjunto de medidas que estão sendo desenvolvidas para os primeiros 100 dias de governo. As medidas ainda incluem a melhora nos sistemas de informação e monitoramento para medidas de prevenção e controle; a ampliação das estratégias a adesão da população à imunização; o acerto com estados e municípios estratégia para fomentar a oferta local de salas de vacinação em horário diferenciado; a instituição de uma “força tarefa” para apoiar os estados e municípios na investigação e manejo de casos de doenças imunopreveníveis e a realização de uma ampla campanha de multivacinação, entre outras ações.

No país, em todo o ano passado, foram confirmados 10.326 casos, distribuídos em 11 estados: Amazonas (9.803), Roraima (361), Pará (79), Rio Grande do Sul (46), Rio de Janeiro (20), Sergipe (4), Pernambuco (4), São Paulo (3), Bahia (3), Rondônia (2) e Distrito Federal (1). Destes, oito estados já tiveram o surto encerrado, segundo o ministério. Outros três, no entanto, ainda registram transmissão ativa do vírus: Amazonas, Roraima e Pará. De janeiro a março deste ano, foram confirmados 28 casos de sarampo nestes locais.

Já o caso em Tangará da Serra foi notificado no Bairro Vila Horizonte e aguarda confirmação laboratorial. De acordo com a enfermeira chefe da Vigilância Epidemiológica do município, Juliano Herrero, a criança apresentou os sintomas no começo do mês e já havia passado por atendimento médico. “No dia 07, ela foi avaliada na Clínica da Família e a suspeita inicial era zika. Então, foi feita a coleta de sangue, que foi enviado para Cuiabá”, disse no início desta semana.

Segundo ela, ainda na sexta-feira foi enviado ao município, o resultado da primeira mostra do material que deu reagente para o sarampo. Porém, é aguardado resultado complementar dos exames de sangue e urina, que estão sendo realizados em laboratório de referência no Rio de Janeiro, para confirmar ou não se é caso de sarampo.

“Como já temos enfatizado algum tempo, a população deve buscar atualizar seu cartão vacinal. O Sarampo voltou a circular no Brasil desde 2018 e desde então o ministério da saúde e secretarias estaduais e municipais tem intensificado as ações para ampliação da cobertura vacinal. Essa orientação cabe também a população de Tangará da Serra, onde a secretaria municipal de saúde já emitiu comunicado a população solicitando que as pessoas que não são vacinadas que procurem as unidades de saúde para realização de vacina”, informou a Ses-MT.

Em Mato Grosso, dados da Ses-MT mostram que, em 2018, o estado atingiu 99,02% de cobertura vacinal contra o sarampo em uma população de 202.2016 meninos e meninas entre um ano a quatro anos de idade durante a campanha nacional de imunização. Contudo, levando-se em consideração apenas a faixa etária de um ano, o índice ficou abaixo do preconizado pelo Ministério da Saúde (MS) que é de 95%. Nesta etapa de vida, de um total de 53.508 crianças, 48.241 (90,16%) foram imunizadas. Em 2017, a cobertura vacinal estadual da tríplice viral foi de 84%.

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, podendo evoluir com complicações graves e óbitos. A doença é transmitida por meio das secreções expelidas pelo doente ao falar, tossir e espirrar. A vacina tríplice viral é a medida de prevenção mais segura e eficaz contra o sarampo, protegendo também contra a rubéola e a caxumba.

A vacinação é a forma mais eficaz e segura para prevenção de doenças como o sarampo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta gratuitamente duas vacinas que protegem contra o sarampo: a tetra viral que protege, além do sarampo, contra a rubéola, caxumba e varicela, e é administrada aos 15 meses, e a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), também aos 15 meses.


Autor:AMZ Noticias com Diário de Cuiabá


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