Domingo, 08 de Dezembro de 2019

Prefeito de Parauapebas é acusado de dar mais expediente em Brasília que deputados




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O prefeito de Parauapebas, Darci José Lermen, é o campeão das diárias. Entre 1º de janeiro de 2017, dia em que se sentou na cadeira da segunda prefeitura mais rica do estado, e 31 de dezembro de 2018, ele faturou R$ 116 mil com diárias a 56 destinos, como Marabá, Belém, Brasília e São Paulo. As informações foram levantadas com exclusividade por nossa reportagem, que bateu cabeça para contabilizar a quantidade de idas e vindas, além dos dias que o mandatário do segundo caixa mais poderoso entre as prefeituras do Estado passou fora, entre ponte aérea, percursos rodoviários e estadia nos destinos. 

As informações foram consultadas diretamente no portal de transparência e estão conforme indicado pelo governo municipal. Ao todo, em dois anos, os quatro prefeitos dos municípios cuproferríferos de Carajás (Parauapebas, Marabá, Canaã dos Carajás e Curionópolis) consumiram juntos R$ 227,3 mil em diárias, sendo que apenas Darci respondeu por pouco mais da metade do valor. Ele também supera o prefeito da capital do estado, Zenaldo Coutinho, que, embora tenha viajado até a Paris em 2017, não gastou mais que R$ 10,2 mil em diárias, conforme informações disponibilizadas pelo portal da transparência da Prefeitura de Belém.

Na prática, toda a “poesia” administrativa se resume em indicadores precários de qualidade de vida das pessoas e de desenvolvimento no município, todos os quais já cantados em verso e prosa pelo Blog e pelas entidades que divulgam pesquisas com os municípios paraenses no meio. Enquanto alguns prefeitos batem perna pelo Brasil, embalados em arrecadações ascendentes e que lhes permitem fazê-lo, os municípios agonizam com problemas que parecem irresolutos. E eles, os problemas, assim como os prefeitos, são de toda sorte. Parauapebas ilustra bem essa realidade: à ausência de seu prefeito, o município seguiu em 2017 e 2018 — e continua a seguir — padecendo com o básico: saneamento, segurança, saúde e educação.

Em dois anos, ele passou mais de quatro meses viajando. Em média, ficou ao menos um dia da semana na capital federal. É o prefeito que mais se afastou do município que governa. Dos 251 dias úteis de 2017, os prefeitos da região queimaram pelo menos duas dezenas. O rei das diárias, Darci Lermen, passou exatos 74 dias (30% dos dias úteis) fora da “Capital Nacional do Minério de Ferro” e recebeu, por isso, R$ 65,2 mil, um montante quatro vezes maior que seu atual salário líquido, de R$ 16.216,63. Em oito viagens, Darci embolsou R$ 3 mil de uma “lapada”. Já em 2018, dos 252 dias úteis, Darci foi, também, líder disparado das diárias. O prefeito de Parauapebas passou 58 dias por aí, o correspondente a 23% do período laboral válido e produtivo. Esses quase dois meses de ausência do gestor impactaram os cofres em R$ 51 mil.

As viagens de R$ 3 mil, feitas em 2017, foram todas a Brasília (DF). Sempre com a mesma justificativa de “tratar de assunto de interesse do município”, Darci rodou quase toda a Esplanada dos Ministérios em 2017 e a capital federal virou caminho de roça para o prefeito da capital do minério que, diga-se de passagem, dá mais expediente por lá que muitos deputados federais, os quais não fazem muita questão de comparecer às sessões.

Apenas naquele ano, pelo tempo que passou distante de Parauapebas, dois meses e meio, Darci poderia ir e voltar ao mundo da Lua (384 mil quilômetros de distância da Terra) ao menos nove vezes para buscar ajuda extraterrestre com vistas a resolver problemas básicos no município, notadamente nas áreas de educação, saúde, segurança e saneamento básico — este o qual o que mais salta aos olhos, uma vez que Parauapebas arrecadou R$ 1,04 bilhão em 2017 e, em pleno século 21, continua com legado de esgoto a céu aberto para aproximadamente 90% de sua população.

Em 2018, Darci continuou com a corda toda na ponte aérea Parauapebas-Brasília. No dia 19 de fevereiro, iniciou uma maratona que — sem contar as passagens de avião — custaram R$ 5 mil de uma tacada só ao bolso do contribuinte. Segundo consta do plano de viagem, o administrador partiu de Parauapebas para Brasília a fim de se encontrar com representante da Agência Nacional de Mineração (ANM); depois se mandou para São Paulo (SP), alegando evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp); e regressou a Parauapebas, passando antes em Belém, para um bate-papo sobre “assuntos de interesse do município” no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). A longa viagem de Darci chegou ao fim no dia 23 de fevereiro, totalizando cinco dias fora.

Além da viagem de R$ 5 mil, há outras três no ano no valor de R$ 4 mil. Para onde? Brasília. A primeira, entre os dias 10 e 13 de abril, para reunião na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Receita Federal. A segunda, entre os dias 4 e 7 de junho, em visita ao Ministério da Integração Nacional e para reunião com a Vale. E a terceira, entre os dias 29 de outubro e 1º de novembro, em visita pela enésima vez ao Ministério da Integração Nacional e, para variar, reunião na Câmara dos Deputados.

Fora da realidade local - Dos 132 dias que Darci perambulou tratando de “assuntos de interesse do município”, 100 deles foram na capital do Brasil. Matematicamente, nos últimos dois anos, ele esteve em pelo menos um dia das 104 semanas por lá. Também matematicamente, marcou mais presença a Brasília que a esmagadora maioria dos deputados federais, que precisam estar lá.

Só para comparar, em 2017, de 119 sessões na Câmara dos Deputados, o deputado paraense Wladimir Costa (SD-PA), o deputado da tatuagem, faltou a 42, de acordo com dados levantados junto à ONG Ranking dos Políticos. Em 2018, até julho, de 53 sessões, Wlad faltou a 32. A soma de suas ausências a Brasília é bem menor que a presença de Darci à capital.

O que fica no ar, para além do gasto com diárias e da ausência exacerbada à realidade local, é: será que numa prefeitura com 7 mil servidores ninguém pode representar o prefeito nessas tais “reuniões” para deixar o gestor mais livre para administrar um município com tantos problemas como Parauapebas?

Malas prontas em 2019 - Este ano já começou intenso no programa de milhas de Darci. De 86 dias até esta quarta-feira (27), o prefeito mais ausente do Pará já passou ao menos dez fora de Parauapebas. Considerando-se que, nesse período, foram 58 dias úteis, Darci passou praticamente um dia fora por semana. Nesse embalo, foram consumidos R$ 8 mil do tesouro municipal.

A conta de dias fora do município pode ser ainda maior porque a última viagem referenciada no portal de transparência data de 27 e 28 de fevereiro, quando o prefeito foi a Brasília participar de encontro da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP). De lá para cá, é sabido que Darci viajou mais, inclusive esteve em Brasília na semana passada, onde deu entrevista à Rádio Nacional. Essa viagem ainda não consta do portal da transparência.

 

Ao que tudo indica, o ano vai ser curto para as viagens intermináveis do prefeito da capital do minério, que segue sem ideia concreta de alternativa econômica à futura escassez de seu principal produto. As autoridades parecem não estar nem aí para a questão, que é grave e séria, e seguem aladas, viajando na maionese.


Autor:AMZ Noticias com Zé Dudu


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