Sexta-Feira, 25 de Setembro de 2020

Aos 81 anos, Sitó morreu aguardando desde 2010 para receber pagamento da Prefeitura de Cuiabá




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Artistas que tiveram projetos aprovados no Plano Municipal de Cultura em Cuiabá no ano de 2010 ainda não viram a cor do dinheiro. Na ingrata fila de espera pelo recurso aprovado estava o artista plástico Antônio Pereira da Silva, mais conhecido como Sitó, que faleceu aos 81 anos no último dia 21 de dezembro em Cuiabá.

O projeto aprovado por Sitó em 2010 era no valor de R$ 10 mil, mas o dinheiro não foi repassado. Assim como Sitó, um dos maiores representantes da arte Naif de Mato Grosso e com grande destaque nacional, inúmeros artistas não receberam e cobram as verbas daquele ano. Os repasses não cumpridos são uma 'herança' do prefeito Chico Galindo (PTB) ao prefeito Mauro Mendes (PSB).

Em entrevista concedida na sua última semana de mandato, o ex-prefeito Chico Galindo admitiu o atraso dos pagamentos de 2010, mas negou que irregularidades em 2011 e 2012. “Desde 2011 nós mudamos a lei. Antigamente os produtores da cultura tinham que ir na empresa mendigar para [a empresa] ser incentivadora, nós mudamos a lei, acabamos com a lei, a prefeitura municipal contempla os projetos e paga com recursos próprios”, declarou o petebista.

“Em 2012 não tivemos problema nenhum, em 2011 não tivemos problema nenhum. Ainda tem do sistema antigo de 2010 algumas irregularidades que nós só podemos pagar quando tiver o parecer do Banco do Brasil, estamos recebendo isso ai para não pagar em dobro. Tem mesmo projeto de 2010 que eles tem razão, a gente dá a razão, mas ainda há um inconsistência para que a gente possa pagar. Nós pagamos três ou quatro milhões [de reais] nesses dois anos e [a prefeitura] deve 200 e poucos mil, então não é questão de não pagar, é pagar certo, pagar correto, que é o que eu sempre prezei”, completou Galindo.

O temor dos produtores é que com a mudança de cargo, os repasses demorem ainda mais, uma vez que a nova equipe de gestão ainda vai tomar pé da situação e escolher suas prioridades. O prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes, instituiu uma Comissão Temporária para analisar todos os restos a pagar da administração municipal. A comissão terá a duração de 90 dias e os pagamentos serão feitos somente após parecer favorável da comissão e anuência do gestor.

A comissão será composta por um servidor das seguintes Secretarias Municipais: Planejamento e Finanças, Procuradoria Geral, Controladoria e Contabilidade, Fazenda e Governo. A coordenação dos trabalhos será feita pelo representante da pasta de Planejamento e Finanças.

Mais problemas

Além do 'calote' na categoria, membros do segmento denunciam indícios de irregularidades e superfaturamento nas verbas, como denunciou o Olhar Direto. Os valores dos repasses do Executivo aos produtores, alguns ainda não cumpridos, estão registrados com o valor dobrado no Portal Transparência da Prefeitura de Cuiabá.

O caso mais gritante é o do grupo Expresso Latino, que, segundo os registros da Prefeitura de Cuiabá, teria recebido R$ 40 mil por uma apresentação, quando, na verdade, o líder do grupo sustenta que o cachê pago foi no valor de R$ 3 mil. “Esse valor que aparece é preço de apresentação de nível nacional. O que tem ai é um aumento de 15 vezes”, afirma o empreendedor cultural Ulisses Samaniego.

Chico Galindo deixou o cargo ciente das denúncias. Produtores culturais e captadores de recurso denunciaram ao prefeito os indícios de um superfaturamento. A denúncia foi feita tanto pessoalmente em uma reúnião quanto por documento oficial recebido pelo controlador-geral da prefeitura Luiz Mário de Barros (veja aqui e aqui) nesta sexta-feira (28). De acordo com o texto do documento, os números da prefeitura sinalizam um possível tráfico de influência no Executivo.


Autor: Olhar Direto


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