Quarta-Feira, 21 de Agosto de 2019

Produtores mato-grossenses de cana apostam no RenovaBio para ampliar a produção




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Começa o mês de abril e com ele o início da moagem da cana-de-açúcar. Nesta safra, 2019/20, Mato Grosso deve produzir 17,6 milhões de toneladas de cana, em uma área plantada de 215 mil hectares. A produção do Estado teve ligeira recuperação, 500 mil toneladas, na safra 2017/18, fruto dos bons preços do açúcar.

Porém os efeitos da retração nos preços do açúcar no mercado internacional e do etanol no mercado nacional, na safra 2018/19, acabaram por reduzir o ímpeto no aumento da produção.

Os produtores apostam no RenovaBio para trazer ganhos adicionais que possam ser investidos na renovação e ampliação dos canaviais mato-grossenses. “Esperamos que a comercialização dos CBIO (Créditos de Descarbonização) permitam que as empresas consigam investir na recuperação dos canaviais e, desta forma, contribuir para o aumento da produção de etanol, ajudando, de maneira decisiva na qualidade de vida pela otimização do meio ambiente”, aponta o presidente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool/MT), Silvio Rangel.

O RenovaBio é a política nacional para os biocombustíveis e tem como objetivo fomentar o aumento da produção em padrões sustentáveis e contribuir para o cumprimento das metas de redução de emissões de gases do efeito estufa, previstos no Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário.

O programa, lançado pelo governo Federal no final de 2017, entra em vigor no final de 2019. O principal instrumento do RenovaBio é o estabelecimento de metas nacionais anuais de descarbonização para o setor de combustíveis, de forma a incentivar o aumento da produção e da participação de biocombustíveis na matriz energética de transportes do país.

As distribuidoras de combustíveis deverão comprovar o cumprimento de metas individuais compulsórias por meio da compra de Créditos de Descarbonização, os CBIO, um ativo financeiro que será emitido pelas indústrias de biocombustíveis, derivado da certificação do processo de produção do biocombustível. Os CBIO serão comercializados diretamente com as distribuidoras de combustíveis fósseis e no mercado de ativos escriturais. Assim, além de certificar que produz energia limpa, as usinas receberão recursos pela comercialização dos CBIO.

Atualmente, o Estado possui onze indústrias produtoras de açúcar e etanol, sendo três flex, que produzem etanol tanto de cana quanto de milho, e uma que utiliza só o milho. Noventa por cento da produção de cana-de-açúcar em Mato Grosso pertence à própria indústria.

A cultura da cana-de-açúcar precisa ser renovada em 20% a cada ano e necessita de 12 a 18 meses para a primeira colheita e produz por 5 ou 6 anos, necessitando do tratamento das raízes para voltar a desenvolver-se, e, após esse período, faz-se rotação de cultura e só após a cana é replantada.

ETANOL E AÇÚCAR - A safra 2018/19, que se encerrou em março, deve fechar com uma produção de 1,85 bilhão de litros de etanol. Deste total, 1,2 bilhão originários da cana-de-açúcar e 650 milhões derivados do milho. Os dados ainda não foram fechados oficialmente pelo Sindalcool/MT.

Historicamente, Mato Grosso destina 75% da cana-de-açúcar para a produção de etanol e 25% para açúcar. Nos últimos anos, houve ligeiras variações, como em 2016 quando o açúcar atingiu um patamar histórico de R$ 100 a saca. Naquele ano, os produtores derivaram mais cana para produção de açúcar. Já em 2017 e 2018, o preço do açúcar teve uma enorme queda, com isso a destinação da cana ficou em torno de 78% para a produção de etanol.

Com a entrada do milho como matéria-prima para produção de etanol, a expectativa é que, em apenas cinco anos, Mato Grosso salte dos atuais 1,85 bilhão de litros para cinco bilhões. Para o Sindalcool/MT, isto não significa que os produtores deixem a cana-de-açúcar para migrar para o milho, embora vejam o grão com muito bons olhos, e, a médio prazo, as unidades que utilizam apenas cana-de-açúcar tornar-se-ão flex, isto utilizarão também milho em seu processo produtivo, tendo como diferencial o bagaço de cana na geração da energia necessária ao processo produtivo. 


Autor:AMZ Noticias com Diário de Cuiabá


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