Sábado, 16 de Novembro de 2019

Ministério Público pede júri popular para acusado de mandar matar 09 pessoas em Colniza




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O Ministério Público Estadual pediu a pronúncia dos dois primeiros suspeitos de participar da chacina de Colniza (1.114 km de Cuiabá), ocorrida no dia 19 de abril de em 2017, quando nove pessoas foram assassinadas na localidade de Taquaruçu do Norte, na zona rural do Município.

O Ministério Público Estadual requereu a pronúncia de Valdelir João de Souza, conhecido como “Polaco Marceneiro”, e apontado como o mandante, e Pedro Ramos Nogueira, conhecido como “Doca”, que seria seu pistoleiro. Caso o pedido seja acolhido pela Justiça, os dois serão levados a júri popular.

Ao todo, cinco acusados de participar da chacina foram denunciados pelo MPE por homicídio triplamente qualificado (mediante paga, tortura e emboscada), mas o processo foi desmembrado. Além de Valdelir João de Souza e Pedro Ramos Nogueira, foram denunciados Paulo Neves Nogueira, Ronaldo Dalmoneck e Moisés Ferreira de Souza.

De acordo com o MPMT, está em andamento um inquérito policial complementar, no qual se apura a participação de outras pessoas, “sendo que no presente feito a discussão cinge-se quanto à participação dos réus Valdelir (Polaco Marceneiro) e Pedro Ramos (Doca) na chacina de Taquaruçu do Norte”. Durante o inquérito, diversas testemunhas prestaram depoimento, entre elas uma testemunha ocular – Osmar Antunes – que afirmou ter visto “Doca” executando o crime, acompanhado de mais três pessoas.

“A testemunha ocular Osmar Antunes, lamentavelmente, não pode prestar depoimento em juízo, eis que por ter denunciado à justiça os responsáveis pela Chacina do Taquaruçu do Norte sofreu atentado, uma tentativa de homicídio”, diz trecho dos autos. Após sofrer o atentado, segundo o MPE, Osmar Antunes não foi mais visto na região. Outro depoimento anexado aos autos é do empresário do ramo madeireiro Alex Gimenez Garcia, que, conforme a denúncia, relatou com detalhes que a chacina havia sido encomendada por “Polaco Marceneiro”.

Conforme seu testemunho, 50 dias antes de acontecer a chacina, ele passou por uma fazenda onde perguntou para uma pessoa como estavam as coisas na região e que obteve a seguinte resposta: “Os encapuzados vão fazer uma limpeza na área da Taquaruçu; vão matar todo mundo que estiver ocupando as terras””.

Ainda segundo a testemunha, “Polaco” teria deixado nas mãos de um advogado a quantia de R$ 3.000.000 para que gastasse “comprando quem tivesse que comprar”. A testemunha disse, também, que temia pela sua vida.

“Infelizmente a testemunha (Alex Gimenez Garcia) fora vítima de homicídio no dia 28/07/2018. Não teve a mesma sorte da testemunha Osmar Antunes que evadiu-se da comarca. Mas essa testemunha assassinada prestou informações relevantes sobre a motivação do crime, corroborando a alegação ministerial, de que o Polaco Marceneiro seria uma dos mandantes, além da informação relevante de que este disponibilizaria R$ 3 milhões para ‘comprar’ quem quiser”, diz a Promotoria de Colniza.

Para o MPE, há prova da participação dos réus na chacina. “Por outro lado, as provas produzidas pela defesa técnica são contraditórias e não merecem credibilidade, razão pela qual a pronúncia dos réus Pedro Doca e Polaco Marceneiro é medida que se impõe”, afirma a denúncia.

Grupo de extermínio -  Conforme o MPE, os cinco denunciados integrariam um grupo de extermínio denominado “Os Encapuzados”, conhecidos na região como “guachebas”, ou matadores de aluguel, contratados com a finalidade de praticar ameaças e homicídios.

No dia da chacina, segundo a denúncia, Pedro, Paulo, Ronaldo e Moisés, a mando de Valdelir, foram até a Linha 15, munidos de armas de fogo e facas, matando Francisco Chaves da Silva, Edson Alves Antunes, Izaul Brito dos Santos, Alto Aparecido Carlini, Sebastião Ferreira de Souza, Fábio Rodrigues dos Santos, Samuel Antonio da Cunha, Ezequias Satos de Oliveira e Valmir Rangel do Nascimento.

O MPE diz ainda que o grupo percorreu aproximadamente 9 km – praticamente toda a extensão da Linha 15 - onde foram matando, com “requintes de crueldade”, todos os que encontraram pelo caminho. “Os denunciados executaram as vítimas, em desígnios autônomos, de forma repentina e mediante surpresa, utilizando-se de crueldade, inclusive tortura, dificultando, de qualquer forma, a defesa dos ofendidos”, diz a denúncia.

Os corpos de Francisco e Edson foram encontrados com ferimentos provocados por arma de fogo, já a vítima Valmir tinha vários cortes causados por golpes de arma branca.Ele foi encontrado degolado e com as mãos amarradas para trás. Os três estavam no lado direito da Linha 15. Cerca de 6 km à frente, foi encontrado o corpo de Izaul, ao lado de sua casa. Ele também foi degolado e estava com as mãos amarradas para trás.

Aldo foi morto por disparo de arma de fogo e Ezequias com golpes de faca no pescoço. Os dois estavam no km 2 da Linha 15. Sebastião foi encontrado dentro de casa. Ele foi executado com golpes de facão. Os dois últimos corpos foram localizados nas proximidades de um córrego. Fábio e Samuel apresentavam ferimentos provocados por arma de fogo.


Autor:AMZ Noticias com Diário de Cuiabá


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