Terca-Feira, 21 de Maio de 2019

Mais de 180 países fecham acordo que restringe o envio de lixo a nações mais pobres




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Quase todos os países do mundo ratificaram um plano que os obriga a cortar o desperdício de plástico. As Nações Unidas anunciaram que 187 nações chegaram a um acordo, na sexta-feira, de monitorarem e rastrearem o movimento dos dejetos plásticos para além de suas fronteiras. Os Estados Unidos não aderiram ao plano, que também restringe o envio de resíduos plásticos a nações mais pobres.

Até a aprovação deste acordo, os Estados Unidos e outros países podiam enviar resíduos plásticos de menor qualidade para entidades privadas de nações em desenvolvimento, sem que, para isso, precisassem do aval dos governos locais. Agora, precisam do consentimento estatal para exportar os restos de plástico contaminados, misturados e não recicláveis, ressaltou o jornal britânico The Guardian.

Recentemente, a China resolveu banir o recebimento de dejetos dos Estados Unidos. Desde então, segundo o Guardian, ativistas apontaram uma escalada do envio de lixo para países em desenvolvimento. A Aliança Global para Alternativas à Incineração (Gaia, na sigla em inglês) denunciou que, no período de um ano, cidades de Indonésia, Tailândia e Malásia "se tornaram lixões" no que antes costumavam ser vilarejos de agricultura.

O acordo foi ratificado ao fim de duas semanas de negociações em Genebra. Rolph Payer, uma das autoridades do Programa de Meio Ambiente da ONU, considerou "histórica" a emenda à Convenção de Basileia, que dispõe sobre o controle dos movimentos e depósitos transfronteiriços de resíduos. Washington nunca aderiu a ela. Segundo Payet, a nova obrigação ajudará a criar uma regulação melhor do comércio de plástico, que hoje polui terras e oceanos e ameaça a vida selvagem.

— (O plano) Envia um sinal político forte para o resto do mundo, ao setor privado, ao mercado consumidor, que nós precisamos fazer alguma coisa — destacou Payet. — Os países decidiram fazer algo que vai se transformar em ação real no território.

O acordo afeta os produtos usados em uma ampla gama de setores, como saúde, tecnologia, aeroespacial, moda e alimentos e bebidas. É provável que o plano leve os agentes alfandegários a procurar nas mercadorias, mais do que antes, resíduos eletrônicos ou outros tipos de resíduos potencialmente perigosos. De acordo com Payet, cada país deverá descobrir sua própria forma de cumprir o plano.

Mesmo os poucos países que não o ratificaram, como os Estados Unidos, podem ser afetados ao enviarem resíduos plásticos para nações signatárias.Payet atribuiu à Noruega o crédito por liderar a iniciativa, que foi apresentada pela primeira vez em setembro. A tramitação do plano foi rápida para os padrões da ONU.

Na semana passada, uma petição online intitulada "Pare de jogar plástico no paraíso!" atraiu quase um milhão de assinaturas. Segundo as Nações Unidas, a poluição por plástico atingiu proporções epidêmicas, com estimativa de 100 milhões de toneladas de resíduos do tipo encontradas agora nos oceanos.


Autor:AMZ Noticias com OGlobo


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