Segunda-Feira, 24 de Janeiro de 2022

Juíza da comarca de Xinguara denuncia perseguição e pede demissão do cargo pela 2ª vez




COMPARTILHE

A juíza Ana Carolina Barbosa, lotada na comarca de em Xinguara, no sul do Pará, pediu exoneração do cargo. Essa é a segunda vez que ela pede demissão. A primeira ocorreu em outubro do ano passado, mas depois a magistrada reconsiderou a decisão e se licenciou da função.

Em sua (nova) carta de demissão enviada ao presidente do Tribunal de Justiça do Pará, desembargador Leonardo Tavares, Ana Carolina cita que após voltar atrás em sua primeira decisão de deixar os quadros do judiciário paraense, deu início a um tratamento psicológico.

O diagnóstico de depressão e ansiedade foram tratados pela mídia, pelo Tribunal e pelas associações como transtorno mental e/ou comportamental, como quase que direcionado para uma ‘eventual’ e ‘oportuna’ desqualificação profissional. Nada mais injusto e preconceituoso”, escreveu.

Na carta, a juíza cita um processo administrativo que foi instaurado pelo Tribunal de Justiça, após ela denunciar a omissão de órgãos diretivos do Poder Judiciário do Pará. “Como requerida, sequer tive acesso a todos os documentos. Como magistrada, não tive nenhum tipo de apoio, nem mesmo jurídico, tanto que precisei contratar advogado particular para me assistir, além de ter comparecido para prestar depoimento na sede da Corregedoria do MPE/PA sem qualquer representante do Judiciário Paraense”, relata.

Mais adiante a magistrada afirma que esperava “apoio de um órgão cujas parciais entranhas foram reveladas com tal carta? Tentei fazer um exercício de empatia, mas logo pensei: o Tribunal, por mais que tenha ficado ofendido, conhece o histórico de Xinguara. Sabe, portanto, que o que eu escrevi é a verdade e, a partir de agora, vai pensar com mais cuidado na saúde emocional e segurança dos magistrados da região”.

Ana Carolina escreveu ainda que, “o relatório me mostrou que não há qualquer possibilidade de retorno. A desqualificação profissional, outrora eventual e oportuna, exsurgiu, se revelou. E mais. A despeito da misoginia e eterismo que enfrentei, fui igualmente desqualificada como ser humano”. A carta foi encerrada com a juíza escrevendo que: “despeço-me definitivamente do TJEPA. Peço o deferimento do meu pedido de exoneração e a não intervenção do órgão de classe, do qual já me desfilei”.


Autor: Paulo Carrion com Conexão Pará


Comentários
O Jornal da Notícia não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros.

Nome:
E-mail:
Mensagem:
 



Copyright - Jornal da Noticia e um meio de comunicacao de propriedade da AMZ Ltda.
Para reproduzir as materias e necessario apenas dar credito a Central AMZ de Noticias