Sábado, 21 de Setembro de 2019

Jovem indígena vítima de escalpelamento no Pará diz que existe, Uma dor além do corpo




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Quase um ano após o acidente que mudou os planos e causou sequelas gravíssimas no corpo e na alma, a jovem indígena Adriana Fernandes, de 19 anos, volta aos poucos à rotina na comunidade Mariazinha, na região de Cachoeira do Aruã, no rio Arapiuns, a 100 km de Santarém, no oeste do Pará. A jovem foi a primeira vítima de escalpelamento após cinco anos sem registro de casos na região.

Sonhadora e confiante, Adriana ficou três meses afastada da família para receber tratamento, os estudos foram adaptados dentro do hospital, mas agora essa fase faz parte do passado.“Eu já estou boa, mas acabei perdendo totalmente 20% do cabelo. A dor que isso causa vai além do corpo, é uma dor na alma”, disse.

O acidente aconteceu em setembro de 2018, de forma rápida e trágica. Adriana e a mãe seguiam em uma bajara (embarcação de pequeno porte e motorizada) do sítio da família até a escola da jovem, quando Adriana, que estava penteando os cabelos, tropeçou em uma tábua e caiu. Os cabelos foram puxados pelo eixo do motor. A mãe da jovem que desprendeu os cabelos da filha.

Depois a mãe buscou ajuda na comunidade onde a família mora. Em seguida, se deslocaram até a comunidade Cachoeira do Aruã, onde conseguiram a transferência de helicóptero para Santarém. Adriana ainda ficou uma semana no Hospital Municipal de Santarém (HMS) e foi transferida para a Fundação Santa Casa de Misericórdia, em Belém, onde passou três meses.

Adaptação de estudos e companhia da mãe - Para não perder aulas, Adriana contou ao G1 que precisou adaptar os estudos ao leito e a nova realidade de acompanhamento para lidar com as sequelas do escalpelamento. Desde o acidente a dona de casa e mãe de Adriana nunca a deixou sozinha.

Até hoje Marcilene Fernandes é o braço direito da filha, assim como os irmãos.“Foi um pouco difícil para mim, porque eu nunca passei por uma situação dessas. Eu fiquei do lado dela desde o início. Foi um trauma para toda família. Ficou a cicatriz grande na cabeça e tivemos que andar muito para Deus dar a saúde da minha filha”, contou Marcilene.

A jovem ainda sente dores de cabeça e dificuldade para ler. Os problemas apareceram depois do escalpelamento. O tempo passa e os cabelos crescem. Para esconder a cicatriz, a jovem indígena usa os cabelos soltos e a encobre. Prevenção - Depois que a jovem indígena voltou para a comunidade, os moradores passaram a ter mais consciência sobre os riscos que a não cobertura do eixo do moto pode acarretar à vida de uma pessoa.

Os comunitários, assim como a mãe de Adriana, foram até a cidade colocar as proteções de eixo e evitar novos acidentes. A cobertura do eixo é disponibilizada gratuitamente pela Capitania Fluvial de Santarém. “Esse acidente foi o primeiro da minha comunidade, depois dela o pessoal se juntou para que não acontecesse mais. Eu aconselho as meninas prenderem o cabelo para não acontecer isso, e também os pais devem colocar a proteção”, disse Adriana.

Escalpelamento - O escalpelamento é um acidente mais comum no Norte, sendo provocado pelo eixo do motor das pequenas embarcações. Por conta da falta de proteção, as vítimas, em sua maioria mulheres, ao se aproximarem do motor, têm os cabelos puxados. A forte rotação enrola os cabelos em torno do eixo e chega a arrancar parte ou totalmente o coro cabeludo. Em alguns casos, as vítimas sofrem danos graves e chegam a perder as orelhas e a pele do rosto, causando deformações e até a morte.


Autor:AMZ Noticias com G1


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