Segunda-Feira, 24 de Janeiro de 2022

Empresários e autoridades debatem recuperação da Transaraguaia na Ilha do Bananal




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No ultimo dia 31 de julho foi realizada uma reunião na cidade de Lagoa da Confusão para serem definidos os rumos a serem tomados para o andamento do projeto de recuperação da estrada Transaraguaia que corta a ilha do Bananal ligando os municípios de Santa Terezinha no Mato Grosso e Lagoa da Confusão no Tocantins com uma extensão de 90 km.

Participaram da reunião, os empresários que tomaram a iniciativa para a execução desse projeto juntamente com os dois Prefeitos da Lagoa da Confusão Nelsinho e Euclésio Ferreto de Santa Terezinha, além de políticos dos dois estados, lideranças das comunidades indígenas, representantes da FUNAI, do IBAMA e outros colaboradores do projeto.

A reunião foi realizada na sede da Associação dos Produtores Rurais do Sudoeste do Tocantins - APROEST na Lagoa da Confusão. Participaram da reunião: Nelson Alves Moreira, prefeito da Lagoa da Confusão-TO; Euclésio Ferretto, prefeito de Santa Terezinha-MT; Dr. Alessandro Pereira, Ex-juiz eleitoral TER-TO; Flávio Silveira, Superintendente do IBAMA; Weligton Rodrigues, Comandante da PM do Araguaia de Vila Rica-MT; Reinaldo Amaral, Coordenador da FUNAI; Renato Karajá, Cacique da Aldeia Macaúba; Paulinho Karajá, Cacique da Aldeia Rorotori; Wagner Karaja, Cacique da Aldeia Boto Velho; Mardioli Copetti, Advogada da Kummel Advogados; Gel Lino, vereador da Câmara Municipal de Lagoa da Confusão; José Ribamar da Silva, Secretário de Administração da Prefeitura de Pium -TO; Nivaldo Rodrigues Braga, Secretário de Agricultura do município de Pium-TO, Sandro de Lima Silva, Comandante do $º CIPM da Lagoa da Confusão-TO; e o Engenheiro Agrônomo Adrian da Silva da AMBMAP.

Ainda participaram da reunião por vídeo conferência o Procurador do Ministério Público Federal Avaro Manzarro, o analista de logística Alexandre Lobo e o prefeito do Pium -TO Valdemir Barros.

A muitos anos já foram discutidos e buscados vários projetos para a reabertura dessa estrada, más os projetos sempre foram barrados na burocracia da questão ambiental e também porque até um certo tempo a maioria dos indígenas também eram contra essa estrada.

No entanto, agora com a aprovação de todos os indígenas, que veem hoje com a facilidade da mobilidade ao acesso aos municípios aos quais pertencem no Estado do Tocantins, o acesso à Capital Palmas, bem como irá trazer desenvolvimento e renda para as comunidades, tendo em vista que vários projetos de desenvolvimento sustentável serão implantados nas Comunidades indígenas, além de receberem mais obras de apoio nas aldeias do município que pertencem e do governo do estado.

Essa estrada com 90 km de extensão, praticamente quase a metade a leste, atravessa as aldeias Javaé e Karajá e depois passa para as aldeias Tapirapé e Avá-Canoeiro, sendo terras indígenas da base federal. São quatro terras indígenas que estão em questão na área de influência da rodovia.

Uma das preocupações também levantadas são as unidades de conservação, que são agrupadas da seguinte forma: terras indígenas no Araguaia que se localiza na metade leste da estrada e a direita o Parque Nacional, sendo mais da metade do traçado passando por Unidades de Conservação Federal e isso estará sendo levando em consideração para a viabilidade do procedimento mais adequado para fazer o licenciamento, e por ser uma ilha dentro de um parque da Unidade de Conservação Nacional, o licenciamento deverá ter a anuência e conduzido pelo IBAMA.

O Engenheiro Agrônomo Adrian da Silva que dirigiu o encontro, esclarece que o traçado o traçado feito dessa estrada, segue a mesma metodologia que é usada para atravessar atualmente, e que alguns ajustes podem ser feitos em função de alguns problemas que podem aparecer, como por exemplo, solos inapropriados e outras coisas do tipo. E a ideia padrão, segundo o engenheiro, é fazer uma estrada padrão de 10 a 14 metros de largura para maior segurança, que seja cascalhada e utilizadas algumas tecnologias de estabilização do solo para evitar a manutenção entre 5 a 10 anos.

Com a descoberta de novas tecnologias, que hoje tem se estudado muito uma tecnologia que está vindo de Israel que se chama Gel Célula, que é um material feito de polímetro plástico especial, tipo uma colmeia que se abre no terreno e preenche o material do próprio terreno, evitando assim os grandes problemas causados hoje nas rodoviasi que é a movimentação horizontal do material e deterioração da estrada, sem contar que é um material ecológico que vai evitar trazer material de longe, como também irá evitar o impacto do asfalto e outras ´series de coisas, explicou o engenheiro.

Esse material que o grupo pretende utilizar na estrada, é um material plástico muito impressionante que já vem sendo usado em outros países, principalmente no Canadá. É um material que usa material local e evita a abertura de jazidas, bem como um período de 5 a 10 anos para receber manutenção, sendo que os indígenas não aprovam o asfaltamento da estrada que receberá um grande tráfego pesado no transporte de grãos da Região Araguaia/Xingu de Mato Grosso para o Tocantins e de fertilizantes do Tocantins para essa região.

O projeto está sendo trabalhado para que o tráfego aconteça nessa estrada durante todo o ano, sem nenhum tipo de restrição no período chuvoso. Estudos estão sendo realizados feitos de outras tecnologias para serem aplicados nos pontos mais críticos da estrada. A ideia é que seja uma estrada perenizada não pavimentada e que na sua manutenção possa ser usado o mínimo de recursos públicos, pois discute-se a ideia também de aplicar parte dos recursos adquiridos nas travessias das balsas, na manutenção da estrada.

O Projeto é econômico e sustentável e irá beneficiar as comunidades indígenas, respeitando os distanciamentos e as normas legais por passar dentro das terras indígenas, e mesmo sendo um projeto impactante não causará nenhum tipo de dano ambiental.

Essa estrada ainda pode levar até um ano e meio para ser iniciada, pois o processo de licenciamento ambiental leva de um ano a um ano e meio para ser liberado, más mesmo com as dificuldades para a licença ambiental, sendo um projeto social e impactante e que não causa nenhum tipo de dano ambiental, já tem recebido um parecer favorável do IBAMA para sua aprovação.

O Prefeito de Santa Terezinha, Euclésio Ferretto, destacou as grandes dificuldades das comunidades indígenas e que os envolvidos precisam buscar alternativas que agregam a execução do projeto e que o momento é mais do que oportuno para unir forças para a execução do mesmo e com respeito a todas as normas legais.

Os lideres indígenas, Renato da Macaúba e Wagner da aldeia Boto Velho, esclareceram que na época que era para reabrir essa estrada, eles não tinham o entendimento que tem hoje sobre a restruturação da mesma, más que hoje são de acordo com o projeto apresentado que irá trazer desenvolvimento às comunidades indígenas.

O primeiro passo já foi dado e projeto segue para as próximas etapas. Essa estrada que tinha no passado um grande impecílio que era a licença ambiental e a reprovação por parte dos indígenas, agora não tem como não ser realizada, pois os indígenas já aprovaram o projeto e o mesmo já recebeu um parecer favorável do órgão federal ambiental, pois será empregada uma nova tecnologia que não trará nenhum dano ambiental, somente o desenvolvimento para os municípios que serão interligados e para o povo indígena, bem como para a região Araguaia/Xingu com um trecho mais curto para a escoação de grãos e a busca de fertilizantes, sendo que na região de Lagoa da Confusão tem uma grande mineradora de Calcário.

Ressaltamos que o projeto tem como principais articuladores os prefeitos Euclésio de Santa Terezinha-MT, do prefeito Nelsinho da Lagoa da Confusão, do Coordenador Regional da FUNAI Tenente Amaral e do Empresário Leonardo da Lagoa da Confusão, com apoio de mais um grupo de empresários, do Coordenador Geral da FUNAI do Tocantins e da Associação dos Produtores Rurais do Sudoeste do Tocantins - APROEST.


Autor: João Evilson com Vip Araguaia


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