Sexta-Feira, 10 de Julho de 2020

O PT me traiu nesta Ditadura Gay diz o deputado Marco Feliciano




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O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) demonstrou nesta segunda feira, dia 01/04, ceticismo sobre a reunio de líderes partidários na Cmara que tratará do seu caso. O encontro estava marcado para ontem e ficou para a semana que vem.

"Eu no recebi o convite ainda. Estou estudando se eu vou atender. Regimentalmente, no tem o que ser feito. Eu no sei o que faria nesse colégio de líderes. Ir ali para ser oprimido e achincalhado por um grupo de pessoas que, na verdade, deveria defender o Parlamento -e no abrir um precedente como está sendo feito. Acho muito perigoso", disse o deputado.

Em entrevista ao Poder e Política, programa da Folha e do UOL, Feliciano falou de maneira franca sobre suas convices como pastor, sua outra atividade além da política. Ao dizer mais uma vez que no vai renunciar ao cargo de presidente da Comisso de Direitos Humanos e Minorias, comparou-se ao atual presidente da Cmara, Henrique Alves (PMDB-RN).

"Todos nós sabemos que o deputado Henrique Alves chegou presidncia [da Cmara] debaixo de muita presso, debaixo de muita luta. Eu me espelho nele. Esse vigor que eu estou tendo de suportar essa presso se inspira nele", declarou Feliciano, que tem 40 anos e sofre críticas diárias por estar no comando da Comisso de Direitos Humanos.

Henrique Alves foi eleito para presidir a Cmara em fevereiro em meio a acusaes de irregularidades, como manter dinheiro no exterior sem declarar, entre outras. Alves negou culpa. "Tantos jornais falando sobre ele e mesmo assim ele permaneceu. Eu quero ter a mesma chance que ele teve de permanecer e provar que eu posso fazer um bom trabalho", disse Feliciano.

Na entrevista, o deputado também diz estar insatisfeito com o tratamento recebido do governo da presidente Dilma Rousseff. Coloca em dúvida um alinhamento automático que evangélicos poderiam ter com o projeto de reeleio da petista.

Relata ter vestido a camisa de Dilma em 2010, mas agora se sente traído pelo PT, pois vários integrantes do partido pedem a sua saída da CDHM. "O PT pegou um grupo de deputados e veio contra mim", diz.

Sua maior mágoa é com a ministra da Casa Civil, Glesi Hoffman, que no o ajudou a ter audincia com Dilma Rousseff ou com o ministro da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, para tratar do impasse na comisso de Direitos Humanos.

Neste ms, Feliciano diz esperar o apoio de 24 mil pastores que estaro em Brasília para um congresso da Assembleia de Deus. O deputado aguarda também outras manifestaes a seu favor. "[Eles, o movimento LGBT] colocam 20, 50, 200 pessoas na rua. Se é público que eles querem ver, nós temos 50 milhes [de fiéis] no país".

A respeito de sua declarao recente sobre a CDHM ter sido no passado comandada por "Satanás", explicou no se referir a alguém especificamente, mas a todos que pensam de forma diferente da sua. "Satanás", no caso, seriam "os adversários" no campo das ideias.

Conservador nos costumes, Feliciano explicou a maioria das suas opinies que vm sendo alvo de críticas. Negou ser racista ou homofóbico. Disse que ele e o papa Francisco, da Igreja Católica, so perseguidos pelos simpatizantes da causa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgneros).

É contra o aborto, entre outras razes, por ter presenciado a prática quando era jovem. Sua me chegou a manter uma casa clandestina de abortos. Na "12ª semana, estamos falando de um beb com trs meses de idade. Já tem sentimentos. Já sente dor. Abortar uma criana de trs meses é assassinato", diz.

E a frase polmica no Twitter sobre negros serem amaldioados? Explica que seria apenas uma expresso da Bíblia. Hoje "escreveria da mesma forma, mas diria que a frase no termina aqui".

A interpretao de que houve racismo seria "maldade nos olhos de quem l". Quem? "Um grupo de pessoas na internet. O movimento LGBT. Nós temos tudo isso catalogado. Eles acabaram empesteando o país inteiro com esse pensamento".

Feliciano acha que o Brasil vive uma "ditadura gay" e relata que na Assembleia de Deus, "tem muitos casos de ex-gays".

É necessária uma lei para combater a homofobia? Ele acha que no. Se a lei for aprovada, teria de se fazer o mesmo para outras minorias -por exemplo, para quem é "caolho" ou "banguelo".

Contrário a manifestaes públicas de carinho entre gays, o deputado acredita que os próprios homossexuais saberiam que se trata de algo inconveniente. Cita o caso de artistas mulheres se beijando em público para protestar. "Voc viu algum artista masculino dar algum beijo na boca de outro artista masculino? No tem. Por qu? Porque eles sabem que isso vai chocar a populao. Porque um beijo feminino talvez choque menos".

Na política, diz admirar os colegas deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Chico Alencar (PSOL-RJ), além de Ulysses Guimares (1916-1992).

Cantor de músicas religiosas, Feliciano diz alisar o cabelo e fazer a sobrancelha. "Pecado é quando a tua vaidade te pe acima de Deus", diz.

Vesti a camisa de Dilma e o PT me traiu, diz Feliciano.

Entre os 70 deputados de So Paulo, o pastor evangélico foi 12 mais votado em 2010. Ele disse que trabalhou para eleger Dilma Rousseff , mas agora é atacado por deputados do partido dela, o PT.


Autor: UOL


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