Segunda-Feira, 16 de Dezembro de 2019

Pagot e o PTB movem a primeira peça na disputa ao governo de 2014




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Para alguns, um trator; para outros, um ex-fantasma. Polêmico, ousado, centralizador, de raciocínio rápido e memória privilegiada, conhecedor da logística de transporte nacional, leal ao senador republicano Blairo Maggi, Luiz Antônio Pagot (nesta foto) assina ficha de filiação ao PTB na segunda-feira (29), em Cuiabá. com esse ato Pagot cria o fato novo, o divisor de época: o antes e o depois da campanha eleitoral de 2014, quer sequer começou.

Pagot era o principal executivo da Hermasa Navegação da Amazônia, empresa do grupo familiar de Blairo, e que opera nos rios Madeira e Amazonas, quando o chefe se lançou candidato ao governo de 2002. A campanha eleitoral o afastou das embarcações e o jogou na sala mais fechada e onde se decidia quem apoiaria ou não o novato Blairo ao governo. Na função de articulador Pagot bateu o martelo com donos de veículos de Comunicação, sindicalistas maneiros, prefeitos e vereadores que torciam o nariz ao Rei da Soja e com a militância mercenária que muda de lado ao sabor do bolso, quer dizer, dos ventos.

Em 2002 quando botou a campanha na rua, Blairo não passava de um traço nas pesquisas de intenção de votos. Pagot botou o chefe nos ombros e, como verdadeiro São Cristóvão na célebre travessia, abriu o caminho que o levaria em primeiro turno ao Palácio Paiaguás.

Antes da posse de Blairo no governo a Imprensa que conhecia Pagot muito bem, buscava com ele informação sobre a equipe de transição e a composição do secretariado.

A vice-governadora eleita em 2002 foi Iraci França, mas quem tomou posse juntamente com Blairo foi Pagot, muito embora a equipe palaciana tivesse em sua composição a cúpula do grupo empresarial dos Maggi e, dentre esses nomes, Clóves Vetoratto, Waldir Teis, a primeira-dama - e sócia do grupo - Terezinha Maggi e outros. Mesmo assim, quem dava as cartas e jogava de mão era Pagot.

Homem forte no governo, Pagot assumiu a Secretaria de Infraestrutura (Sinfra) e botou debaixo dos braços os dois projetos que foram as bases de sustentação do governo: o Meu Lar e o Estradeiro. Com o primeiro espalhou conjuntos Mato Grosso afora e, esses conjuntos receberam o irreverente nome de Pagolândia. Com o outro revolucionou a logística de transporte.

Para levar adiante o Estradeiro Pagot absorveu bem uma proposta apresentada pelo então e agora também prefeito de Lucas do Rio Verde, Otaviano Pivetta (PDT). Pivetta propôs a Blairo, antes de sua posse no governo, uma PPP Caipira para pavimentar a MT-449 (Rodovia da Mudança) entre Lucas e Tapurah, numa extensão de 96 quilômetros. A proposta do prefeito foi um desafio ao governador eleito que convidou o município a ser parceiro no asfaltamento do trecho entre a cidade e o novo aeroporto, em suas imediações. Pagot abraçou a ideia e, assim surgiram as Pagovias que cruzam Mato Grosso de ponta cabeça.

O primeiro mandato de Blairo foi concluído com o governo em alta e com Pagot nas nuvens. Em 2006 o líder do homem forte foi reeleito encabeçando uma dobradinha sertaneja com o peemedebista Silval Barbosa de vice-governador. A escolha de Silval jogou Iraci para escanteio sem nenhuma satisfação.

Pagot era tão forte que incomodava Blairo, que evitou confronto. Em nome de acomodações palacianas Pagot virou secretário nômade, foi para a Educação e a Casa Civil. O fortalecimento de Pagot era conquista dele e não se reforçava com sua primeira suplência de senador conquistada em 2006 na chapa do democrata Jayme Campos

No acender das luzes do segundo governo, Blairo costurou com o presidente Lula para entregar na bandeja o DNIT ao secretário que dividia o poder com ele. Depois de muita resistência no Senado, Pagot foi nomeado por Lula em outubro de 2007 para cuidar da chave do orçamento da autarquia mais poderosa do Brasil.

A principal voz contra a nomeação foi a do senador tucano Mário Couto, do Pará. Couto botou o dedo na ferida que mais incomoda Pagot: revelou detalhes de sua condição de fantasma no gabinete do ex-senador Jonas Pinheiro (já falecido). Durante quatro anos Pagot ganhou alto salário no Senado para prestar serviço no gabinete de Jonas, mas à época era diretor da Hermasa, em Porto Velho (RO); detalhe é que durante a fase do lençol branco de Pagot o primeiro suplente de Jonas era Blairo. Mais ainda sobre o caso: o Ministério Público em Brasília quer que Pagot devolva mais de R$ 500 mil (com correção) pelos salários indevidamente recebidos.

O senador Jayme Campos entrou de licença numa tentativa de golpear Pagot, que pelo regimento interno no Senado determina a obrigatoriedade da substituição do titular pelo primeiro suplente e não pelo segundo. Pagot sabia que se deixasse o cargo não teria chance de voltar e abriu mão da cadeira de senador durante o afastamento de Jayme. Com essa decisão perdeu a suplência, que passou ao segundo suplente Osvaldo Sobrinho (PTB).

Em 2011 a presidente Dilma Rousseff fez uma faxina na cúpula do Ministério dos Transportes. Do ministro Alfredo Nascimento ao mais humilde lobista todos se espatifaram. Pagot desabou nesse efeito dominó e saiu jurando inocência.

Mesmo evitando confronto direto, o ex-chefe do Dnit debita sua queda ao deputado federal e presidente regional do PR, Wellington Fagundes, que não hesita em jogar pesado quando se sente acuado ou precisa abrir caminho.

FILIAÇÃO – A disputa eleitoral de 2014 tem seu primeiro lance interesse com a filiação de Pagot. Ele veste a camisa do PTB, mas entre ela e sua pele está o uniforme do grupo familiar de Blairo.

Pagot dará nova dimensão ao PTB. Em 27 de março este site revelou em primeira mão essa filiação. Também disse que a bandeira trabalhista seria reforçada com a adesão de Édio Brunetta (Porto Alegre do Norte), Antero Paes de Barros e Wilson Santos. A esses nomes deverão se juntar César Maggi (Sapezal e primo de Blairo), Chico Mendes (Diamantino), Naftaly Calisto (Vila Rica), Sílvio Calisto (Santa Terezinha) e outros.

A filiação não é mera procura de um partido. Pagot tem uma missão. Articulado, deixará que a Imprensa, as conversas nas praças e o pé de ouvido que terá com gente de todos os cantos ditem o que falará no amanhã. Se precisar ele botará o PTB a serviço de Blairo. Se o cenário for desfavorável a Blairo, Pagot entra de sola na disputa ao governo.

Candidato a governador Pagot não teria dificuldades em torpedear o senador Pedro Taques que é o nome do PDT.

Pagot e Taques são opostos. O primeiro tem apoio quase unânime entre o agronegócio. Taques é satanizado por muitos produtores porque enquanto procurador da República botava cadeado nos rios contra a navegação comercial e mandou a Justiça Federal retirar no muque da Polícia Federal os produtores rurais que bloqueavam a BR-163, em 2006, no manifesto “Grito do Ipiranga”.

Trator ou ex-fantasma são dois rótulos. Acho que ele tem outro e sei que gosta dele: Castor, o bichinho danado que faz sua casa entre galhos no rio, enfrenta a enchente, sobrevive a ela, reconstrói sua moradia para abrigar sua família e não se entrega.

Blairo à parte. Esse Castor vai revolucionar a disputa ao governo e, se candidatar e chegar lá, será melhor que seus antecessores, não tenham dúvidas.


Autor:MTAqui Online


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