Terca-Feira, 22 de Outubro de 2019

PF procura advogado de "figurões" de MT em um esquema de R$ 300 milhões




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A Polícia Federal está cumprindo nesta quinta-feira, dia 19/09, em Cuiabá  mandados de busca e apreensão da Operação Miquéias, que tem como objetivo desarticular duas organizações criminosas. O grupo é investigado por lavagem de dinheiro e má gestão de recursos de entidades previdenciárias públicas.

Em Cuiabá, agentes da PF cumpriram dois mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos documentos de um advogado no escritório no bairro Santa Rosa e no condomínio Florais Cuiabá, na estrada da Guia.

Nos dois locais, os policiais federais recolheram documentos do advogado que tem entre seus clientes um secretário de Estado do Governo de Mato Grosso. Não se sabe se o advogado foi detido e em quais outros locais a PF está cumprindo os mandados expedidos.

O ESQUEMA

A operação acontece em Mato Grosso e outros oito estados, além do Distrito Federal. É a primeira operação da PF no combate a este tipo de crime.

Mais de trezentos policiais cumprem 102 mandados judiciais, sendo 5 de prisão preventiva, 22 de prisão temporária e 75 de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Amazonas e Rondônia. De acordo com a Polícia Federal, a investigação teve início há um ano e meio, apurando lavagem de dinheiro através de contas bancárias de empresas fantasmas, abertas em nome de “laranjas”.

Verificou-se a existência de uma holding de empresas que consistia em um verdadeiro serviço de terceirização para lavagem do dinheiro proveniente de crimes diversos. Uma vez creditados nas contas bancárias das empresas investigadas, a PF afirma que os valores ilícitos circulavam pelas demais contas pertencentes à quadrilha até serem sacados em espécie.

No esquema, os laranjas e as empresas eram periodicamente substituídos por outros para não despertarem atenção dos órgãos de fiscalização. Nos 18 meses de investigação, foram sacados mais de R$ 300 milhões nas contas dessas empresas.

Até o momento, entre as inúmeras células criminosas da organização, foram individualizados três núcleos distintos que contavam, inclusive, com a participação de policiais civis do Distrito Federal, responsáveis pela “proteção” da quadrilha. No curso da investigação, detectou-se que os líderes da organização criminosa também aliciavam prefeitos e gestores de regimes próprios de Previdência Social para que fossem aplicados recursos das respectivas entidades previdenciárias em fundos de investimentos geridos pela própria quadrilha. A PF aponta severos prejuízos no patrimônio desses regimes próprios.

Os prefeitos e gestores dos regimes próprios de previdência eram remunerados com um percentual sobre o valor aplicado. O esquema também contava com a intermediação de importantes lobistas que faziam o elo entre agentes políticos e a quadrilha.

Nessa investigação, foram verificadas irregularidades especificamente nos regimes próprios de Previdência Social das seguintes prefeituras: Manaus/AM, Ponta Porã/MS, Murtinho/MS, Queimados/RJ, Formosa/GO, Caldas Novas/GO, Cristalina/GO, Águas Lindas/GO, Itaberaí/GO, Pires do Rio/GO, Montividiu/GO, Jaru/RO, Barreirinhas/MA, Bom Jesus da Selva/MA, Santa Luzia/MA. Os presos e indiciados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de gestão fraudulenta, operação desautorizada no mercado de valores mobiliários, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsidade ideológica. 

Miquéias é o personagem bíblico que denunciava os governantes, chefes e ricos das cidades de Jerusalém e Samaria que roubavam o povo através da língua enganosa, com armadilhas e exigindo presentes e subornos. A operação também teve apoio do Ministério da Previdência Social e da Comissão de Valores Mobiliários.


Autor:O Documento


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