Segunda-Feira, 11 de Novembro de 2019

Acusado em esquema de R$ 7 milhões, ex-procurador é preso pelo Gaeco




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O ex-procurador do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho foi preso preventivamente na tarde desta quarta-feira (17) ao deixar o Fórum da Capital. A medida é um desdobramento da operação Seven, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco).

A prisão preventiva foi decretada no último dia 12 pela juíza Selma Rosane de Arruda, responsável pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Ele é acusado de participar de um esquema criminoso que se dava por meio de fraude na aquisição de áreas rurais por parte do governo do Estado. Conforme a denúncia, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) efetuou a compra de uma mesma área duas vezes. O ex-procurador foi responsável por emitir o parecer favorável às aquisições.

Vale lembrar que Chico Lima estava sendo monitorado por meio da tornozeleira eletrônica em decorrência de seu suposto envolvimento no esquema desbaratado por meio da operação Sodoma.

No entanto, no entendimento da magistrada, o ex-procurador tem fortes influências no Estado, o que poderia atrapalhar a instrução do processo. Além disso, acredita que o risco de fuga é grande. “O risco de fuga é iminente: basta que Francisco perceba que sua efetiva participação está sendo descortinada e tenha ciência de sua provável condenação pelos graves crimes que lhe são imputados”.

A operação Seven foi deflagrada no último dia 1º e resultou na prisão do ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto; do ex-secretário-adjunto de Administração, coronel José de Jesus Nunes Cordeiro, e em novas prisões do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e do ex-secretário de Estado Pedro Nadaf. Ambos estão presos desde setembro de 2015 pela suspeita de fraude em um esquema de cobrança de propina para conceder incentivos fiscais para empresas privadas, conforme revelado pela operação Sodoma, da Polícia Civil.

O médico Filinto Correa da Costa, 73 anos, foi alvo de mandado de busca e apreensão, mas a Justiça decidiu submetê-lo ao uso de tornozeleira eletrônica, descartando a prisão preventiva.

Filinto era o proprietário da área que teria sido comprada duas vezes pelo governo do Estado. Conforme as investigações, a transação serviu apenas para encobrir um esquema de desvio de dinheiro público que pode chegar até R$ 7 milhões. De acordo com o Gaeco, no ano de 2002, o empresário negociou com o governo do Estado uma área de aproximadamente 3,240 hectares pelo valor de R$ 1,8 milhão. Ocorre que, no ano de 2014, 727,931 hectares dessa mesma área foram novamente vendidos ao governo do Estado, desta vez pelo valor de R$ 7 milhões. Para dar legitimidade à transação, o ex–governador Silval Barbosa contrariou dispositivos legais expressos e transformou a unidade de conservação do tipo “parque” em unidade de conservação do tipo “Estação Ecológica”. Nesses casos, a legislação federal não exige a realização de estudos técnicos ou audiências públicas. O esquema contou com a participação do ex-secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, e do ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto. 


Autor:Kamilla Arruda com Diário de Cuiaba


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