Quarta-Feira, 20 de Novembro de 2019

Mulheres conquistam espaço em área onde os homens ainda predominam




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De policial a pedreira e motorista de ônibus, as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço nas profissões onde os homens predominam.

Neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, em Cuiabá será um dia de “fortalecimento” para essas profissionais, que enfrentam o preconceito diariamente, mas não se deixam levar pela tristeza para lutar pelos seus direitos.

Essa luta árdua começou há mais de 100 anos, desde o primeiro Dia Internacional da Mulher, celebrado em 1909 nos Estados Unidos, em memória do protesto das operárias do setor têxtil de Nova York contra as más condições de trabalho.

Conforme a história, a manifestação teria sido reprimida com extrema violência. Cerca de 130 operárias morreram queimadas, após serem trancadas dentro da fábrica.

Para a policial Patrícia Castro de Souza, de 33 anos, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Polícia Militar de Mato Grosso, as mulheres não podem permitir que tudo aquilo que já foi conquistado pelas suas bisavós, avós e mães seja “destruído”.

“Esse dia é mais de luta do que comemorações, pois muito já foi conquistado, mas sabemos que muito há de se conquistar ainda”, afirmou, ao lembrar das centenas de milhares de mulheres que são vítimas de violência,  abusos sexuais, estupros, espancamentos e homicídios no mundo.

Ela contou que, apesar de não sofrer nenhum tipo de preconceito dentro da corporação, muita coisa precisa ser mudada na estrutura orgânica da Polícia Militar.

Citou, como exemplo, a cota estipulada para a entrada de mulheres na instituição, que é de 10%. “Eu consegui entrar, mas muitas outras mulheres não entraram por conta dessa cota e isso, sem dúvida nenhuma, é um preconceito, porque, se fosse uma livre concorrência, teríamos um grupo maior de mulheres na Polícia Militar”, afirmou.

O MidiaNews esteve no Bope, na Avenida do CPA, para conhecer um pouco do trabalho de Patrícia e outras três mulheres que atuam na corporação - Jeandra Carla Matos, de 42 anos, Glace Regina Martins da Silva, de 37 anos, e Dagima Gomes de Freitas, de 27 anos.

Elas receberam a reportagem fardadas de preto, mas diferentemente dos homens, não estavam de cara “amarrada”, mas sempre com sorrisos nos rostos.

Patrícia entrou na PM para ter estabilidade, mas afirma que se apaixonou pela profissão E, apesar de terem que parecer “duronas”, elas não abandonam uma boa maquiagem e joias.

Patrícia contou que trabalha no Bope há seis anos. Ela é formada em psicologia e trabalha no setor de grupo de negociação e análise.

Ela explicou que o seu papel é resolver uma situação de crise, a exemplo de uma tentativa de suicídio ou crimes que envolvam reféns.

A missão é conquistar a confiança do causador da crise para convencê-lo a não cometer o crime. Conforme ela, não foi uma escolha pessoal entrar para a Polícia Militar, mas sim pela estabilidade do concurso.

Porém, afirmou que hoje é apaixonada pelo que faz.. “É bom poder ajudar a sociedade a melhorar”, disse.

Assim como Patrícia, Glace Regina e Dagima Gomes também entraram para a Polícia Militar para poder ter uma estabilidade.

Tímidas, elas se limitaram a dizer que amam o que fazem e não desejam sair tão cedo da PM. Formada em veterinária, Jeanda Carla Matos entrou para a Polícia Militar por incentivo do pai, irmão e marido, que também são militares.

“Eles sempre me apoiaram e essa, com certeza, é a força para eu estar aqui hoje”, relatou. Ela coordena o Canil da corporação e apresentou à reportagem a cadela Ju, uma farejadora que ajuda nas ações do Bope, quando necessário.

Questionadas sobre como é trabalhar em um ambiente “recheado” de homens e que exige certa força física, elas contam que não têm problema com isso, pois cada uma exerce uma função diferente.

“Todas nós fazemos nossa função muito bem feita, não posso me meter em outra área, por exemplo, no esquadrão de bombas, sem fazer o curso, e me queixar que sofro preconceito”, disse Patrícia.

“Somos bastante valorizadas no nosso trabalho. Alguns dos homens, inclusive, tentam nos proteger. Os mais experientes nos dão conselhos, orientações, todos nos respeitam”, pontua Jeandra.

Quem é usuário do ônibus 607, da linha bairro Parque Atalaia-Centro de Cuiabá, da empresa Integração Transporte, com certeza, conhece a motorista Ironilza Aparecida Jesus, de 40 anos.

Até porque uma mulher no volante de um transporte coletivo não passa despercebida. Casada, mãe de três filhas e avó de seis netos, Ironilza contou que sempre sonhou ser motorista.

Ela apreendeu a dirigir bem nova, com ajuda dos irmãos e o incentivo da mãe. “Desde pequena, eu sempre quis ser motorista. Amo dirigir, sou apaixonada, é uma aventura, uma adrenalina, isso me completa”, disse, sorridente.  

A motorista contou que já sofreu preconceitos de passageiros, mas que isso não a abala em nada.

“Uma vez, um rapaz queria embarcar no meu carro no lugar errado e eu não aceitei. Por conta disso, ele me ofendeu, disse que eu não deveria estar ali dirigindo, deveria estar no tanque lavando roupa. Um absurdo, porém, isso é de menos. Existem muito mais pessoas que admiram do que aquelas que querem me coloca pra baixo”, afirmou.

Dentro da empresa, Ironilza afirmou que ganha o mesmo salário dos motoristas homens. Ela ainda “tirou onda”, ao contar que nunca deu prejuízo para a Integração Transportes com batidas.

“Eu tento dar o meu melhor, por conta da oportunidade que eles me deram. Faço tudo valer a pena”, disse.  Ironilza incentiva as mulheres e não terem medo de lutar pelos seus sonhos.

“Não existe serviço para homem ou mulher, todos nós temos capacidade para sermos o que desejamos ser, basta lutar”, pontuou.

 Mão na massa Para ter uma renda melhor, Luciana Pereira da Cruz, de 33 anos, deixou de lado a vaidade para se tornar uma profissional de revestimentos cerâmicos.

Atualmente, ela está trabalhando na construção do edifício Villagio Di Bonifácia, na Avenida Miguel Sutil, perto do Parque Mãe Bonifácia.  Casada e mãe de dois filhos, ela contou à reportagem que começou a trabalhar em obras há sete anos, no setor de serviços gerais.

“Ganhava muito pouco, sofria muito por não conseguir dar algo melhor para os meus filhos. Por isso, busquei coragem e fiz vários cursos para poder crescer profissionalmente. Hoje, minha renda é muito melhor”, afirmou.

Para chegar onde está hoje, Luciana encarou o preconceito dentro da própria família.

“Ninguém me incentivou, pensavam que esse serviço essa só para homem, mas eu mostrei a eles que tudo estavam errado. E, apesar de eles serem contra ainda, pelo menos agora me respeitam”, disse, emocionada.

Se dentro de casa a luta de Luciana já foi difícil, fora a realidade é muito pior. “É difícil conseguir emprego, a maioria não acredita na capacidade da mulher em realizar um serviço de obra”, contou.

No entanto, Luciana disse que não se importa com o preconceito e afirma que jamais irá desistir do seu trabalho.

“Gosto muito do que faço, apesar das dificuldades. Eu não me importo, porque o que é importante para mim é o que eu quero”, afirmou.


Autor:Camila Ribeiro com Midia News


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