Sexta-Feira, 06 de Dezembro de 2019

Mulheres da Segurança Pública vencem preconceitos, ganham espaço e reconhecimento




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Maquiadas, perfumadas e armadas, as mulheres da Segurança Pública em Mato Grosso ganham cada vez mais espaço e reconhecimento institucional. Atualmente, 2.303 delas integram o quadro da Segurança Pública. O maior efetivo é o da Polícia Judiciária Civil (PJC), com 1.147 mulheres. Elas estão distribuídas nos cargos de investigadora, escrivã e delegada, conduzindo investigações nas delegacias do Estado.

Na Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), a delegada Juliana Chiquito completa neste mês seu nono ano de atuação policial. Seu foco é a investigação de crimes de homicídio doloso. “É o crime que afeta o bem jurídico mais importante tutelado pelo Estado, que é vida da pessoa”, descreve.

Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos, ela conta que o preconceito ainda persiste. “Já houve casos em que fiz o atendimento, resolvi o problema e a pessoa ainda pediu para falar com o delegado”, disse.

A delegada diz considerar a visão feminina “imprescindível” dentro das instituições. “Em termos de progressão e ascensão na carreira, nunca fui minorizada por ser mulher. Todavia, sempre me cobro duplamente em qualquer atuação”, destaca.

Atuando em Guarantã do Norte (672 quilômetros de Cuiabá), a coronel Ridalva Reis de Souza é uma das 631 mulheres que trabalham na Polícia Militar. As diversas situações que enfrentou ao longo de 22 anos de carreira, segundo ela, proporcionaram “uma bagagem de conquistas e dificuldades”.

Contudo, a coronel garante que a trajetória pode ser seguida com sutileza. “Não é preciso perder a feminilidade para atuar na carreira policial. É preciso ser firme no objetivo. A presença da mulher na Segurança Pública surge com o elo de sensibilidade para lidar com os conflitos sociais, fazendo um paralelo ao uso da força”, afirmou.

A atuação feminina também está presente no Corpo de Bombeiros Militar. No quadro funcional da instituição estão 85 mulheres. As militares estão espalhadas nas 18 unidades do Corpo de Bombeiros no Estado responsáveis pelo combate a incêndios, preservação do patrimônio busca e salvamento, entre outras atividades.

Atuando em umas das instituições de maior confiança da população há cinco anos, a tenente BM Priscila Megier disse que integrar a tropa vai além da satisfação pessoal: é a representação de uma conquista pelo espaço.

“Significa poder mostrar que a mulher é uma profissional com diversas habilidades e é capaz de acrescentar muito nos trabalhos realizados em qualquer instituição. A visão feminina é ampla e sensível. Às vezes o momento requer sutileza e precisão para ser resolvido”, ressaltou.

Já a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) possui atualmente 273 mulheres. A perita criminal Ana Cristina Lepinsk Romio está no quadro funcional da instituição há 13 anos e diz que “nasceu para esta função”. Formada em biologia e especialista em genética forense, ela conta que o gosto pela profissão surgiu quando trabalhou, por dois anos, no plantão da Criminalística, atendendo às ocorrências de crimes de morte violenta e patrimônio.

“Pude desenvolver novas habilidades, participar da criação da seção de Impressões de Pele e, anos depois, na implantação do laboratório de DNA do qual já atuei como coordenadora. Agora administro o Banco Estadual de Perfis Genéticos (Codis)”, relatou.

Ainda na Secretaria de Segurança Pública (Sesp), 167 mulheres integram o quadro de funcionários. Entre os servidores do setor de Gestão de Pessoas da Sesp está a psicóloga Jackelyne Auxiliadora de Campos Borges. “Ser mulher é se dividir entre enxergar as belezas e sutilezas da vida e ter que lutar, constantemente, por igualdade, por respeito e por direitos básicos. É ter que explicar suas escolhas e sempre se justificar: por que você acha que pode ser dona da sua vida e do seu corpo? Como você ousa pensar e agir por conta própria?”, questionou Jackelyne, servidora pública há mais de quatro anos na função de analista de desenvolvimento econômico e social.

Comemoração

O reconhecimento do desempenho feminino no serviço público será destacado pelas unidades Segurança Pública neste dia 8 de março, quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher.

Diversas atividades direcionadas às mulheres serão realizadas pelas instituições e seguem até o dia 11 de março, quando será realizado na Sesp um dia de reconhecimento e de lazer para as servidoras.


Autor:AMZ Noticias com Dayanni Ida


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