Quinta-Feira, 05 de Dezembro de 2019

Exterminadores seriam autores de 40% das execuções de Várzea Grande




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Cerca de 40% das execuções em Várzea Grande de 2013 até este ano podem estar ligadas à atuação de um grupo de extermínio na cidade. De 2013 até março de 2016, mais de 500 homicídios foram registrados na Cidade Industrial.

A hipótese foi levantada durante apresentação dos resultados da operação “Mercenários”. A operação desencadeada ontem prendeu uma organização criminosa articulada para a prática de homicídios. Na ocasião, 17 pessoas foram presas, entre elas seis policiais militares.

O delegado-geral da Polícia Civil, Adriano Peralta, classificou a operação como a terceira maior num período de 15 anos, ficando atrás apenas da “Operação Arca de Noé” e da “Operação Sodoma”. “Esse trabalho conjunto das forças de segurança ocorreu durante meses, e esta é apenas a primeira fase da operação”, garantiu o delegado.

Além dos 17 presos, foram também apreendidas, na operação, 19 armas, como pistolas calibres 380, 9 milímetros, ponto 40, pistola 765, entre outros armamentos, mais 658 munições de calibre 380, 9 milímetros, calibre 12, 765, entre outros.

O secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas, afirmou que a secretaria não está espantada com a participação de policiais nos grupos de extermínios. A atuação dos suspeitos não pode, segundo ele, ser encarada como uma “liga da justiça”, mas sim como mercenários que recebiam para matar qualquer tipo de pessoa.

Os crimes teriam sido praticados pela organização criminosa formada com o objetivo de assassinar pessoas, não somente aquelas com antecedentes criminais, mas também sob encomenda. A principal motivação era o “comércio da morte”. Os suspeitos matariam de forma mercenária.

Inicialmente, o secretário confirma vínculo dos 17 suspeitos em cinco mortes em Várzea Grande, ocorridas entre os dias 03 de março e 13 de abril deste ano. Entre os casos investigados por possível ligação com o grupo está um triplo homicídio ocorrido há duas semanas no bairro Cristo Rei e o assassinato a tiros de um empresário no centro de Várzea Grande, no início de abril. Contudo, outros participantes e outros crimes estão sob investigação.

“Esse é apenas o pontapé inicial de toda a ação investigativa. Muitos elementos e provas estão sendo formados com objetivo de esclarecer todas as mortes que tenham ligação com este grupo”, disse.

A delegada titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, Anaíde Barros, ressaltou que a quadrilha tinha toda uma organização no modo de atuar. Olheiros, informantes e agenciadores formavam o grupo. Era exatamente a forma ordenada de atuar do grupo que dificultava o esclarecimento por parte da polícia.

A presença de policiais, conforme a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso, em nada representa os quase 15 mil profissionais de segurança que atuam em todo o Estado. Para o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Gley Alves, é “lamentável o fato de ter que conduzir policiais à prisão”. Mas o coronel reforçou que a polícia não coaduna com os atos isolados de seus membros. Alves confirmou ainda que a corregedoria da polícia irá acompanhar o caso.

Operação – A operação foi desencadeada por meio de ação conjunta entre Polícia Judiciária Civil, Polícia Militar, Polícia Técnica, com apoio da Secretaria de Segurança Pública. Dezessete tiveram a prisão temporária expedida por 30 dias. Entre os presos estão seis policiais militares, seis vigilantes, dois mandantes, dois informantes e um gerente de empresa.

Todos foram presos em Cuiabá e Várzea Grande. As investigações são oriundas de uma força-tarefa designada em janeiro deste ano para o esclarecimento de homicídios de alta complexidade e com características semelhantes.

Foram presos os suspeitos Helbert de França Silva (PM), Ueliton Lopes Rodrigues (PM), Claudemir Maia Monteiro (PM), Pablo Plínio Mosqueiro Aguiar (PM), Vagner Dias Chagas (PM) e Jonathan Teodoro de Carvalho (PM). Além dos suspeitos: Roni José Batista, Diego Santos da Silva, Marcos Augusto Ferreira Queiróz, Fernando Marques Boabaid, Edervaldo Freire, Jeferson Fatimo da Silva, Claudiomar Garcia de Carvalho, Deivison Soares de Amarante, Francisnilson Deivison, José Francisco Carvalho Pereira (Ceará) e José Edmilson Pires dos Santos. 


Autor:Aline Almeida com Diário de Cuiaba


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