Nos anos de 1980, quando a média de vida da população brasileira chegou aos 62,7 anos (aumento de 10 anos em relação à década anterior), alertou-se para a longevidade. Até então, este crescimento tinha sido lento – de 33 anos em 1900 para 48 anos em 1960.
Um exemplo foi o movimento Geração Saúde, surgido naquela década, cujo conceito vem, desde então, ganhando cada vez mais adeptos no mundo ocidental, especialmente no Brasil, nesta segunda década do Século XXI.
Coincidência ou não, o fato é que jovens daquela época, hoje cinquentões ou sexagenários, não apenas se mantêm fiéis aos princípios do corpo são, mente sã, como estenderam seus cuidados para a saúde bucal.
Os resultados são positivos. As perdas dentárias, uma triste realidade brasileira de décadas atrás, são cada vez menores, seja pela prevenção seja pelo uso de próteses, cada vez mais acessíveis.
Não mais a prótese total (dentadura), como antigamente. Ao contrário, hoje, pessoas desta faixa etária procuram os consultórios, com frequência, para substituir próteses móveis por fixas, sobre implante, garantindo maior estabilidade e melhor mastigação.
Como todo o corpo humano, a boca sofre desgastes e perdas, no processo de envelhecimento, que precisam de cuidados. Para quem já passou dos 50 anos, as visitas regulares ao médico devem ser estendidas ao dentista.
Embora não escolham idade, é a partir desta faixa etária que cáries e gengivites têm mais facilidades de prosperar. Pessoas idosas ficam com os dentes mais sensíveis e, portanto, mais vulneráveis. Aumentam as chances de surgimento de cáries em volta de velhas restaurações e até mesmo na raiz do dente.
Outro problema é a sensibilidade dentária. Com a retração das gengivas, comum nesta faixa etária, áreas não protegidas pelo esmalte ficam expostas e podem doer, quando atingidas por alimentos ou bebidas, quentes ou frios.
Doenças preexistentes - como diabetes, problemas cardíacos e câncer – também podem afetar a saúde bucal, assim a xerostomia (boca seca), provocada pela falta de saliva, responsável pela lubrificação da boca. Se não cuidada, pode levar à sucessão de novas cáries.
Portanto, para quem, hoje com 50 ou 60 anos, deseja uma longevidade saudável, cuidados com a saúde bucal – e com todo o corpo – são fundamentais e têm que ser constante. Como lavar o rosto, tomar café da manhã, almoçar e jantar.
Uma dieta à base de carnes, frutas, verduras, legumes, cereais e fibras, aliada à ingestão de água durante todo o dia, evita a desidratação da boca e combate a concentração de bactérias. Doces, refrigerantes e bebidas alcóolicas devem ser consumidos, literalmente, com moderação.
Para completar, escovar os dentes três vezes ao dia, com pasta de dente que contenha flúor, limpar entre os dentes com fio dental uma vez ao dia ou escova interdental e, finalmente, visitar regularmente um profissional dentista.
*Ernani Caporossi é Especialista em Dentística Restauradora e Prótese Dental, MBA em Gestão em Saúde, membro fundador da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética.
Autor: Ernani Caporossi