O senador Blairo Maggi assinou ontem sua ficha de filiação ao Partido Progressista (PP). A troca de partido foi motivada para assumir o Ministério da Agricultura na gestão do vice-presidente Michel Temer (PMDB) que assume o Palácio do Planalto após a presidente da República Dilma Rousseff (PT) ter sido afastada do cargo por 180 dias pelo Congresso Nacional em razão do processo de impeachment.
A ida de Maggi contou com apoio até mesmo do PMDB, sendo avalizada pelo líder do partido no Senado, o senador Eunício Oliveira (CE).
Antes de aderir ao PP, Maggi assinou ficha de filiação ao PMDB, porém, recuou alegando que poderia gerar conflitos no processo eleitoral de 2016, e estava até mesmo ficar sem partido para ter a autonomia necessária e apoiar o candidato que lhe fosse conveniente nas eleições a prefeito.
O presidente do diretório estadual do PP, deputado federal Ezequiel Nogueira, considera que a filiação do senador Blairo Maggi reforça a musculatura da legenda no Estado, já que outras lideranças devem acompanhá-lo.
“A vinda do senador fortalece o partido neste importante momento de reconstrução do Brasil”, disse. Maggi vinha negociando sua filiação ao PP desde a semana passada, após ser convidado pelo presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI).
Além da indicação para Agricultura, o dirigente também vislumbra que o futuro ministro possa ser o candidato do PP para as eleições presidenciais de 2018.
"Esse é um dia marcante para nosso partido. (...) Você é uma grande referência do agronegócio e traz de volta para nossa a grande bandeira do agronegócio do nosso partido", afirmou Ciro Nogueira em discurso. O dirigente contou que há um ano tentava trazer o senador para o partido. Agrônomo de formação, Blairo Maggi tem forte atuação no agronegócio. Ele é dono de várias empresas ligadas ao setor, fato que o levou a ser conhecido como o "rei da soja".
O senador tem 59 anos e, apesar de ser representante de Mato Grosso, Estado do qual já foi governador, nasceu em Torres (RS).
Antes considerado aliado de primeira hora do PT, o senador Blairo Maggi tem admitido publicamente que é a favor do impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff (PT).
O principal argumento é que não há mais condições de governar o país e o impeachment seria uma das molas propulsoras para retomar o crescimento da economia brasileira que está em recessão e registra 11 milhões de desempregados.
O ato oficial de filiação ocorreu na liderança do PP na Câmara dos Deputados, enquanto no outro lado do Congresso senadores debatiam na sessão de votação da instauração do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que deve resultar no afastamento da petista por até 180 dias. Questionado, sobre o que falta para tornar-se ministro da Agricultura, Maggi disse a repórteres que apenas “ter o presidente e a nomeação”.
Autor: Rafael Costa com DiariodeCuiaba