Chefe do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o promotor de Justiça Marco Aurélio Castro afirmou que as investigações relacionadas a Operação Rêmora apontam que o dinheiro desviado da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) por meio de cobrança de propinas não deve ter permanecido somente com os servidores públicos, mas também com figuras do alto escalão do serviço público.
Questionado se poderia comprometer deputados estaduais, pois os dois últimos ex-superintendentes de Infraestrutura Escolar foram indicados pela Assembleia Legislativa, o promotor de Justiça Marco Aurélio prega cautela. “Seria prematuro neste momento falar do envolvimento de parlamentares em corrupção”, disse.
Com base nos documentos apreendidos, o promotor de Justiça assegura que já há elementos suficientes para encaminhar a denúncia ao Judiciário. Além disso, acredita que figuras ligadas a cúpula do serviço público tenham sido beneficiadas com o dinheiro desviado por meio das fraudes.
“Nós temos provas cabais de que essas pessoas, alvo de busca e apreensão, tem envolvimento nessa organização criminosa. O desafio do Ministério Público é ver a quem esse dinheiro se destinava. Temos alguns indicativos e no momento nós vamos colocar. Mas, como toda corrupção se destina a alguém maior que seus executores. Queremos delinear quem é quem com base em provas”, afirma.
Uma das linhas de investigação é que tenha ocorrido crimes como lavagem de dinheiro e o esquema possa ter se alastrado para outras secretarias.
Isso porque o empresário Giovani Guizardi, dono da Dínamo Construtora, mantém contratos com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e operava o esquema de cobrança de propina na pasta de educação sem sequer manter contratos.
"Já temos informações que o empresário, Giovani Guizardi tinha vários contratos em outras Pastas e isso merece uma análise mais detalhada, tanto do Ministério Público, como pelo próprio Governo do Estado de Mato Grosso".
“Eu levanto a dúvida. Se ele [Giovani Guizardi] operava corrupção em contratos que não tinha, me fica a duvida se esses contratos da Sinfra precisam ser avaliados sob a ótica se existe alguma corrupção”, completou.
O promotor Marco Aurélio ainda revelou que a primeira fase das investigações está próxima da conclusão. A partir daí, uma segunda etapa da investigação será feita para apuração de outros crimes.
“Nós vamos fechar essa primeira fase da operação e iniciar o segundo momento que vai apurar lavagem de dinheiro e a extensão disso na sua realidade”, disse.
Autor: Rafael Costa com DiariodeCuiaba