Considerados os “sustentáculos” de um esquema de corrupção no setor da Saúde ocorrido há 10 anos, os empresários Ronildo Pereira Medeiros e Luiz Antônio Trevisan Vedoin foram presos ontem, em Cuiabá, pela Polícia Civil de São Paulo (SP) em cumprimento de mandados desta vez pela Operação Sanctorum.
Ambos já haviam sido presos em 2006, no caso que ficou conhecido como “Operação Sanguessuga”. Um terceiro envolvido também foi preso em Presidente Prudente (SP).
A prisão temporária foi requerida pela polícia paulista e decretada por cinco dias pela Justiça. Os dois foram presos em suas residências, que ficam na capital, onde a Polícia Civil também cumpriu mandados de busca e apreensão.
Medeiros e Vedoin novamente são apontados como os líderes de um suposto esquema criminoso, dessa vez aplicado no Oeste Paulista, mas com âmbito nacional, segundo a Polícia Civil do município de Presidente Venceslau (SP).
Mais uma vez as investigações apontam o envolvimento dos dois em um esquema de desvio de verbas de emendas parlamentares de deputados estaduais e federais, ainda não identificados, e que seriam usadas para compra de equipamentos médico-hospitalares para hospitais filantrópicos, como as Santas Casas de Misericórdia da cidade paulistana, com restituição de parte do dinheiro aos parlamentares. Cerca de R$ 800 mil teriam sido foram superfaturados em cada aquisição de equipamento para as entidades.
As investigações apontaram que, após o repasse dos valores às contas das Santas Casas, Medeiros teria passado a enviar os equipamentos, simulando notas de doações emitidas por uma empresa fantasma. Porém, a polícia apurou que no local tido como a sede da empresa, em Carapicuíba (SP), tal instituição nunca existiu fisicamente.
O trabalho conduzido pelo delegado Mauro Chyoda traz Vedoin como uma “espécie de sócio oculto” das empresas fantasmas e ele não aparece formalmente nos contratos implementados pela organização, “modus operandi diverso do adotado nos crimes relacionados à Operação Sanguessuga”, afirmou.
Porém, o papel de líder perante os demais membros da organização teria sido confirmado por meio de imagens de reuniões, em que Vedoin apareceria conduzindo os diálogos, sempre "sob o olhar e a fiscalização" de Medeiros e Gilmar Aparecido Alves Bernardes, este último morador de Presidente Prudente e também preso na Operação Sanctorum.
Segundo a polícia, as prisões aconteceram após o provedor da Santa Casa de Presidente Venceslau (SP), Antônio José Aldrighi, confirmar os indícios do esquema no dia 26 de maio, em depoimento. Porém, a polícia investiga o fato de o grupo não agir somente em São Paulo. A dupla seria transferida ainda ontem para Presidente Venceslau.
“SANGUESSUGA” – Em 2006, Medeiros e Vedoin haviam sido presos na Operação Sanguessuga, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que já naquela época investigava um esquema de desvio com dinheiro da Saúde, por meio da compra superfaturada de ambulâncias.
Vedoin foi considerado um dos líderes do esquema, um dos maiores já registrados na área da Saúde no Brasil. O crime consistia na apresentação de emendas parlamentares para a compra de ambulâncias, sendo que na época foram desviados cerca de R$ 100 milhões. Com a compra superfaturada, os autores das emendas recebiam uma parte do dinheiro proveniente da compra da ambulância.
Um ano depois, Vedoin foi envolvido no "Caso dos Aloprados", que investigou a compra de um dossiê falso que poderia comprometer candidatos do PSDB na eleição de 2006.
Autor: JoanicedeDeus com Diario de Cuiaba