O Governo do Estado solicitou ao Ministério da Justiça (MJ) a transferência para presídios federais dos quatro mandantes ou líderes dos ataques criminosos registrados no último fim de semana, em Mato Grosso. De acordo com o secretário de Segurança Pública, Rogers Elizandro Jarbas, as tratativas para que esse deslocamento aconteça foram feitas pelo próprio governador Pedro Taques.
A data e a unidade federal para onde deverão ser levados até o fechamento deste caderno (às 18h30) ainda não estavam confirmados. Conforme Jarbas, essa medida é técnica e é adotada pelos Estados em situações como estas. Jarbas descartou ainda a possibilidade de o Estado pedir a intervenção da Força Nacional, como vem sendo defendido pelo deputado Estadual Emanuel Pinheiro.
“Em 48 horas conseguimos conter as ações criminosas e efetuar prisões. Em São Paulo, em 2006, foram três semanas de ataques [semelhantes] até que as ações fossem controladas”, disse. Ao todo, 16 pessoas suspeitas foram presas em todo o Estado. Do total, sete já foram liberados e nove continuam detidos.
Encarcerado na Penitenciária Central do Estado (PCE), na capital, Reginaldo Aparecido Moreira, o “RG”, é apontado como um dos mentores dos ataques. Ele é condenado pelos crimes de tráfico de drogas e homicídio. Outros três detentos também foram identificados e autuados por organização criminosa e crime de incêndio na noite de domingo -- João Luiz Baranosk, Reginaldo Silva Rios e Carlos Alberto Vieira Teixeira.
“Com essas prisões cortamos os núcleos central e de liderança. Esses núcleos estão isolados e retirados do sistema”, afiançou Jarbas. Porém, não é descartada a possibilidade de que sejam identificados possíveis novos líderes ou participantes dos atos criminosos. Entre os presos também está Fabiano Rodrigues Souza, o “Peruca”, suspeito de ter incendiado um coletivo no bairro Pedra 90.
A onda de ataques começou na noite de sexta-feira, em Cuiabá e Várzea Grande. Nas duas cidades, três ônibus foram queimados, além de duas tentativas. Por conta dos incêndios, os coletivos pararam de circular e os usuários ficaram sem transporte público. A decisão foi tomada pelos profissionais e pelas empresas, até que o clima de insegurança diminuísse e não houvesse risco aos motoristas e passageiros.
Os atos continuaram no final de semana. Ao menos oito agentes penitenciários tiveram suas casas alvejadas, na capital, Várzea Grande, Sinop e Barra do Bugres. Tiros foram disparados contra prédios e bases da polícia, a exemplo da unidade policial do bairro Três Barras.
Uma viatura da Polícia Militar e uma Kombi também foram incendiadas em Primavera do Leste, além de dois carros pertencentes ao sistema prisional. Em Barra do Garças, duas pessoas suspeitas de atear fogo em duas viaturas do Sistema Socioeducativo do município foram presas. Não há registro de feridos.
Segundo a Sesp, há fortes elementos de que o fogo no prédio onde funcionava a Delegacia da Mulher, no centro de Cuiabá, tenha sido acidental, uma vez vinha servindo de abrigo para moradores de rua e usuários de drogas.
Para conter os ataques, as forças de segurança do Estado deflagraram uma operação integrada desde a noite da sexta-feira por todo o Estado. Também foi montado um gabinete de crise que acompanha todos os trabalhos.
A polícia investiga se os ataques seriam uma retaliação às consequências da greve dos agentes do Sindicato dos Servidores Penitenciários de Mato Grosso (Sindspen-MT), que provocou a interrupção das visitas nos presídios e do banho de sol dos detentos por cerca de 10 dias.
A paralisação da classe se deve ao não-pagamento da Revisão Geral Anual (RGA). Mesmo com a ilegalidade da greve, decretada pelo desembargador Alberto Ferreira de Souza no dia 03 de junho, sob pena de multa diária de R$ 100 mil, a categoria não interrompeu a paralisação.
Autor: Joanice de Deus com DiariodeCuiaba