Dezenas de estudantes ocuparam nesta segunda-feira a sede da Secretaria Estadual de Educação. Eles montaram acampamento no local e alguns servidores foram obrigados a deixar o local.
A Polícia Militar acompanha o protesto com agentes da Rotam (Ronda Ostensiva Tático Móvel) e agentes do 1º e 3º Batalhões. Nenhum tipo de confronto foi registrado.
A principal reivindicação dos estudantes é a retirada total do projeto que prevê Parcerias Público Privadas (PPPs) nas escolas públicas. Eles acreditam que a medida é o início da privatização do sistema de ensino de Mato Grosso.
De acordo com o diretor da UNE (União Nacional dos Estudantes), Miguel Vítor Pereira de Abreu, reuniões realizadas com o secretário Marco Marrafon não resultaram no atendimento do pleito dos estudantes. “Tivemos uma conversa bem franca com o secretário e explicamos que a principal demanda é a revogação do projeto da PPP. Ele adiantou que não existe essa possibilidade de revogação total. Mas para a gente tem que haver essa revogação ou a suspensão do edital por tempo indeterminado até para possa haver esse diálogo entre Seduc e estudantes”.
Outra reivindicação dos manifestantes é a instauração de uma CPI na Assembleia Legislativa para apurar o desvio de recursos na pasta. Eles citaram que a “operação Rêmora” detectou fraudes em 23 licitações que, somadas, totalizam R$ 56 milhões.
O manifestante confirmou que alguns serviços da pasta serão interrompidos até que ocorra uma nova reunião entre estudantes e o secretário. Também solicitaram a presença do governador Pedro Taques (PSDB). “Não é questão de impedir eles de trabalharem. Quando a gente fala em ocupar, é tentar abranger o maior espaço possível para poder ser ouvido. Ocupar é barrar um pouco as tarefas da Seduc para que o secretário, ou até o governador venha conversar com a gente. Já estamos a mais de 45 dias ocupando as escolas e ainda não fomos recebidos pelo governador”, colocou.
O diretor da UNE ainda negou que ocorrerá uma “migração” dos ocupantes de 15 escolas de Cuiabá e Várzea Grande para a sede da Sedec. Ele estima que 100 estudantes participem da invasão da pasta. “As escolas são um ponto nosso. É onde tudo começou”, destacou.
Autor: Rafael Costa com FolhaMax