O empresário João Batista Josa, cujo depoimento originou a Operação Sodoma, afirmou que o ex-secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas, Energia e Casa Civil, Pedro Nadaf, disse que o reembolsaria caso as suas empresas perdessem os benefícios fiscais concedidos pelo Estado.
"Nadaf me encontrou em uma caminhada e disse que ia se encontrar com o chefe [Silval Barbosa] para resolver essa questão da minha empresa que estava irregular. Ele disse que, por mim, era capaz de cortar um braço”, afirmou.
João Rosa prestou na tarde desta quarta-feira (17), um novo depoimento à juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, em relação aos fatos investigados na 2ª fase da operação.
Ex-delator (agora classificado como vítima), João Batista reafirmou ter pagado cerca de R$ 2,5 milhões ao grupo investigado, a título de propina, entre 2013 e 2015, para manter suas empresas recebendo benefícios fiscais do Estado.
O próprio Pedro Nadaf confessou ter exigido propinas mensais para manter as três empresas de João Batista no programa.
Início dos problemas
Segundo o empresário, os benefícios foram concedidos irregularmente, de forma proposital, para obrigá-lo a continuar pagando propina até mesmo após o término da gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) – apontado como o líder do esquema.
"Eu estava com minhas empresas em dia, tudo em dia. Eu fui vítima de uma quadrilha, uma organização criminosa que fez tudo isso".
João Batista disse que, em 2013, Nadaf sugeriu que ele firmasse um contrato com a empresa dele, a NBC Assessoria, para "legalizar" o dinheiro pago a título de propina. O intuito era o de simular que a NBC prestava serviços de assessoria a João Batista.
Os problemas, de acordo com o empresário, começaram em 2015, quando o atual secretário de Estado de Fazenda, Seneri Paludo, o chamou na secretaria. Na ocasião, segundo João Batista, o secretário avisou que as três empresas beneficiadas pelos incentivos não possuíam a documentação necessária para recebê-los.
"No outro dia eu levei a documentação dizendo que era um processo de 2011. Depois fiquei sabendo que a CGE [Controladoria Geral do Estado] fez uma auditoria e encaminhou para a CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal na Assembleia".
Após, João Batista disse que se reuniu com Nadaf e com o ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi, para tentar articular na Assembleia no sentido de não incluir o relatório das empresas dele na CPI.
"Eu percebi que minha empresa estava em risco. Então eu tomei a decisão de, voluntariamente, buscar o Ministério Público e contar tudo".
"Hoje eu tenho certeza que ele [Nadaf] me deixou todo irregular para me manter na mão dele", afirmou.
Autor: Thaiza Assunção com Midia News