Sexta-Feira, 17 de Abril de 2026

Dois "secretários bombas" depõem nesta sexta e devem fazer novas revelações




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A juíza Selma Rosane Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, colheu nesta quinta-feira os últimos depoimentos das testemunhas de defesas arroladas pelos réus da ação penal referente à segunda e terceira fase da “Operação Sodoma”. A partir desta sexta-feira, ela passa a ouvir os acusados de cometer várias fraudes durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), que no dia 17 de setembro completa um ano de prisão.

Prestaram depoimento na tarde de hoje o corretor de imóveis Ricardo de Oliveira França, e os ex-secretários de Administração e Governo de Várzea Grande, respectivamente, Celso Alves Barreto Albuquerque e Ismael da Silva Alves.

Primeiro a depor, o corretor de imóveis explicou que intermediou o contato entre o arquiteto José da Costa Marques e os proprietários do terreno de R$ 13 milhões na avenida Beira Rio. “O sobrinho do José Costa Marques que é corretor me procurou e falou que tinha um investidor interessado em construir um shopping na área”, colocou.

Ele confirmou que recebeu uma comissão por intermediar a negociação, mas negou ter acompanhado a transferência do acordo. Ricardo negou qualquer tipo de contato com o ex-secretário de Administração, César Zílio.

O corretor explicou ainda que o arquiteto falava que o cliente dele, no caso Zílio, estava vendendo um gado antes de realizar o investimento. Ele, porém, colocou que é normal a identidade do comprador de uma área ser preservada.

Já Celso Alves Barreto declarou no depoimento que trabalhou no financeiro da campanha do ex-prefeito Walace Guimarães (PMDB) em 2012. Ele explicou que a campanha não chegou a custar R$ 1,5 milhão, sendo que a maior parte foi bancada pelo próprio candidato. “Acredito que 60% ou 70% da campanha foi o próprio Walace que financiou. Outras três empresas também fizeram doações”, disse.

Celso afirmou que toda movimentação financeira passava por ele, que era subordinado ao ex-presidente do DAE (Departamento de Água e Esgoto), Evandro Gustavo Pontes. Ele afirmou não acreditar que recursos de propina tenham sido injetados na campanha. “Se tivesse esses recursos, com certeza passariam por mim. Os pagamentos todos passavam por mim”, disse.

Celso destacou que as contas de Walace, em princípio, não foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. Porém, ressaltou que os gastos de todos os candidatos a prefeito foram semelhantes. “A Lucimar gastou um pouco mais”, recordou.

Ele afirmou que não conheceu o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e o ex-secretário César Zílio pessoalmente. Na mesma linha, o ex-secretário de Governo de Várzea Grande, Ismael Alves, prestou depoimento.

Ele disse também que não conheceu o ex-governador ou César Zílio. “Não sei informar se o Silval colaborou na campanha do Silval”.

OITIVA DOS RÉUS

Nesta sexta, prestam depoimentos os primeiros réus do processo. Serão colhidos depoimentos dos ex-secretários de Administração, Pedro Elias Domingos e César Zílio, que delataram o esquema.

Eles devem explicar sobre os pagamentos da propina por parte dos empresários Willians Paulo Mischur e Júlio Minori. Pedro Elias também deve falar sobre o envolvimento do médico Rodrigo Barbosa, filho de Silval, nas fraudes. 

Outro depoimento aguardado é o do ex-secretário Pedro Nadaf, previsto para ocorrer no dia 29 de agosto. Nadaf decidiu colaborar com as investigações, apesar de não figurar como delator. Por conta disso, espera ter a prisão revogada pela juíza Selma Arruda.


Autor: Carlos Dorileo com Folha Max


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