Jornal da Notícia
  Domingo, 26 de Julho de 2026

Silval Barbosa diz se sentir “traído por muitos de seus colaboradores”




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Após participar de audiência de instrução da Ação Penal referente à operação Seven, o ex-governador Silval Barbosa descartou fazer delação premiada e disse se sentir traído por alguns de seus ex-secretários. Ele afirma que alguns deles usaram seu nome para poder sair da prisão ou evitar ser denunciados.

O ex-governador se defendeu da acusação de ser o líder de suposta organização criminosa que teria desviado R$ 7 milhões do Estado, por meio da compra de um terreno no Manso. Silval Barbosa foi interrogado na tarde de ontem, na Vara Contra o Crime Organizado, no Fórum de Cuiabá, pela juíza Selma Arruda.

"A denúncia é falsa, eu falo que é falsa como as outras. Exceto assinar o decreto, não participei em nada", disse ele, se referindo ao decreto que permitiu a compra do terreno.

Na ação, Silval Barbosa é acusado de ter liderado o esquema para a compra da área, que já pertenceria ao Estado e foi adquirida novamente de forma irregular e superfaturada do médico Filinto Corrêa da Costa.

Parte dos R$ 7 milhões pagos pelo terreno teria retornado ao grupo, para pagamento de despesas pessoais, favores políticos e dívidas de campanha.

Silval classificou como "revoltante" o que chama de contradições nos depoimentos dos colaboradores da Justiça. “Eu ouvi os áudios dos depoimentos. O Pedro (Nadaf) fala que foram devolvidos R$ 3,5 milhões. O dono da área disse que teve um retorno de R$ 2,5 milhões. Já está errado em devolver dinheiro para secretário, e aí ocorrem as contradições. Um fala que passou dinheiro para outro e falam de uma dívida que eu não tenho", destacou.

Silval Barbosa acredita que o uso do seu nome está sendo usado por acusados para ganhar liberdade, em delações premiadas. “Todos que fizeram, estão fora. Existe a legislação pra isso. O que me deixa magoado e triste é que já vai para um ano, um ano e um mês que estou preso, e os depoimentos são todos marcados por contradições. Isto é que é revoltante", colocou.

O ex-chefe do Executivo ainda considerou com "traição" a postura do ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto, de culpá-lo por atos de corrupção praticados no órgão. Em depoimento, ele recordou que Dalberto esteve em seu gabinete chorando, por conta de problemas de saúde na família e ainda por, supostamente, estar sendo ameaçado por conta de uma disputa de terras em Nossa Senhora do Livramento.

Ele contou que, à época, determinou que a Secretaria de Segurança Pública investigasse as ameaças. "Tinha ele como amigo e ele veio até confessar sobre outros assuntos pessoais dele pra mim. Mas colocar que teme a mim e a família é o maior absurdo que eu já ouvi de uma pessoa que eu conheço há mais de 25 anos e tinha como amigo”, desabafou.

Da mesma forma, Silval Barbosa analisou ter sido traído por outros ex-secretários. Desde que foi preso pela primeira vez, os ex-secretários César Zílio, Pedro Elias e Pedro Nadaf confessaram ter participado de esquemas na gestão passada e colocaram o ex-governador como o líder e chefe de uma suposta organização criminosa que agia dentro do Palácio Paiaguás. “Infelizmente, confiei nas pessoas nos cargos que ocupavam e que usaram o cargo para fazer as coisas erradas de que eu estou tendo conhecimento, assim como vocês, nestes processos".

Silval ainda rechaçou qualquer possibilidade de firmar colaboração premiada com a Justiça para obter redução de pena em eventual condenação. Ele garantiu que manterá sua postura de se defender em todos os processos. "Estou há um ano e pouco preso. Vou me defender como eu venho me defendendo das mentiras e das acusações. Vou buscar a minha liberdade nos tribunais superiores”, completou. 


Autor: Rafael Costa com Diario de Cuiaba


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