O empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, conhecido como Júnior Mendonça, prestou ontem depoimento na 7ª Vara Criminal de Cuiabá na ação penal relacionada à operação Imperador, que trata de uma suspeita de desvio de R$ 62 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa por meio de fraudes na compra de material supostamente arquitetada pelo ex-deputado estadual José Riva.
No depoimento prestado à juíza Selma Arruda, Júnior Mendonça declarou que o ex-deputado José Riva lhe deve a quantia de R$ 10 milhões, que são resultado de empréstimos contraídos na clandestinidade.
O promotor de justiça Marcos Bulhões questionou o empresário a respeito dos valores desviados nas aquisições e quem Junior Mendonça conhecia. Ele diz que só conhece Riva, Janete e o falecido Edemar Adams.
De acordo com o empresário, Riva contraiu um empréstimo em 2005 no valor de R$ 2 milhões. O ex-deputado deu a própria casa como garantia do pagamento.
“Fui apresentado a ele pelo falecido Eduardo Jacob. Ele deu a casa dele no bairro Santa Rosa como garantia”, disse. Conforme Junior Mendonça, o pagamento dos empréstimos era feito por Edemar Adams (já falecido), ex-secretário-geral da Assembleia Legislativa.
“O Edemar me recebia na sala dele, me entregava o dinheiro em um envelope. Sempre em envelope. Depois que o Edemar morreu, passei a tratar direto com Riva”, completou. O promotor de justiça também questionou qual era a fonte dos recursos que Riva usava para quitar os empréstimos milionários.
“Ele dizia que era oriundo de gado. Não procurei saber a fundo a origem do dinheiro”, disse. O promotor de justiça pergunta se os cheques que o empresário recebiam eram pessoais do Riva. Junior Mendonça responde que sim.
“Fazia depósitos, cheques que eu dava a ele e ele fazia pagamentos a quem queria”, explicou. O empresário relatou que o ex-deputado José Riva ainda lhe deve R$ 10 milhões.
“Com o falecimento do Edemar, ficou mais difícil receber os pagamentos. Nesse período todo, ficaram cerca de 10 milhões pra trás”, disse. Outro que prestou depoimento foi o coronel da Polícia Militar Evandro Lesco. Ele disse que monitorou alguns dos réus na ação policial, durante a investigação do Gaeco. Ele diz que seguiu alguns deles em agências bancárias.
Lesco relata que o empresário Jean Carlos Nassarden sempre ia com mochila ao banco, geralmente após o término do atendimento ao público. Ele diz ainda que Nassarden fazia visitas constantes ao condomínio de Edemar Adams. Os encontros eram sempre registrados por fotografias.
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Autor: Rafael Costa com Diario de Cuiaba