Cuiabá é a capital do Centro-Oeste com o maior número de famílias com contas em atraso: 35%. As capitais vizinhas, como Campo Grande, Goiânia e Brasília, apresentaram índices de 28%, 19% e 14%, respectivamente. Os dados fazem parte de um feito pela Federação Nacional do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio/SP). Os dados mostram também que a média de comprometido da renda das famílias cuiabanas é de R$ 1.528, atrás apenas do observado em Goiânia, cujo valor médio da dívida, por família, é de R$ 1.687.
Ainda sobre o universo das contas em atraso, pensam contra os cuiabanos outros indicadores negativos que colocam em xeque o planejamento dos empresários do setor, bem as perspectivas para o saldo do balanço de vendas de 2016, que em outubro, começa a ser influenciado pelas expectativas em relação ao desempenho das vendas de Natal e Ano Novo. Conforme os números da Fecomércio/SP, 66% das famílias em Cuiabá têm dívidas.
O percentual de famílias com dívidas representa um universo de 118.888 pessoas, contingente atrás somente do contabilizado em Brasília com 78% de famílias com dívidas (708.550 pessoas).
Quando se compara a parcela da renda mensal comprometida com dívidas, o indicador registra que na capital mato-grossense o índice é de 31%. Especialistas indicam que o comprometimento da renda em torno dos 30% é considerado razoavelmente adequado para não sinalizar risco de elevação da inadimplência.
Em Mato Grosso, o superintendente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio/MT), Evaldo Silva, que também é presidente do Conselho Regional de Economia, destaca a necessidade da existência e utilização da educação financeira no orçamento doméstico. Antes de ir às compras, o consumidor precisa fazer conta e ponderar se vai conseguir pagar. “Cuiabá tem um grande número de funcionários públicos e isso proporciona mais segurança ao consumidor, devido à estabilidade do emprego. Além disso, esse tipo de cliente tem mais facilidade de acesso ao crédito”, analisa.
No entanto, ele acrescenta que esse perfil de consumidor é bastante perigoso. “Quanto maior a oferta de crédito, maior será a possibilidade de endividamento das famílias. Existe uma tendência maior desse público a cair na inadimplência, no descontrole dos gastos”, completou.
O presidente da Fecomércio/MT, Hermes Martins, avalia que o alto índice de inadimplência na Capital é reflexo do desemprego crescente dos últimos meses, e, consequentemente da falta de renda para honrar os compromissos. “Apesar disso, a expectativa é de que a economia do país continue dando sinais de melhora com o novo quadro político do país, e que isso venha refletir tanto aos empresários quanto aos consumidores”.
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Autor: Mariana Peres com Diário de Cuiabá