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  S�bado, 25 de Julho de 2026

Irmã de “terrorista” acusa poder público pelo assassinato do irmão




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Irmã adotiva de Valdir Pereira da Rocha, espancado até a morte em uma cadeia de Várzea Grande, Zeina El Kadre De Melo Alves desabafou em um post no Facebook colocado no ar nesta quinta-feira (20) acusando o poder público de ser diretamente responsável pela morte de seu irmão.

Acusado de terrorismo, Valdir Pereira da Rocha ficou meses detido em um presídio federal de segurança máxima para depois ser transferido às pressas para a cadeia onde acabou morrendo.

“Não fosse a operação hastag, Valdir estaria vivo, trabalhando, cuidando dos filhos, praticando motoshow. Essa operação acabou com a vida dele”, escreveu em uma parte do post.

Além dela, a mãe e advogada de Valdir e de outro irmão de Zeina, Leonid El Kadri de Melo, Zaine El Kadri já havia denunciado uma sucessão de erros na condução da prisão de Valdir.

“O senhor ministro [da justiça] deveria, no mínimo, reconhecer o erro. O regime do Valdir foi regredido por causa da operação, ele não tinha nada que o desabonasse. Como o ministro pode falar em briga de detentos se não foram concluídas as investigações? Se foi uma briga, por que só ele deu entrada no hospital? Isso tudo é revoltante pois é uma tremenda injustiça”, seguiu no post Zeina.

Em 16 de setembro passado, como argumentado à imprensa local a mãe e advogada, Zine El Kadri, a Justiça Federal havia determinado que Valdir recebesse progresso de pena para regime semiaberto com utilização de tornozeleira.

No entanto a Corregedoria da Penitenciária Federal de Campo Grande descumpriu a ordem judicial de soltura com a alegação de que houvera uma ordem de regressão de pena contra Valdir em instância de justiça estadual, determinada aqui por Mato Grosso devido a outro crime cuja acusação pesava sobre as costas da vítima e pelo qual fora condenado.

Essa ordem judicial mato-grossense foi que teria levado Valdir a ser transferido de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para a Cadeia Pública de Várzea Grande desde o dia 13 de outubro e onde acabaria por ser assassinado pelos colegas de encarceramento.

“Ele vivia sua vida tranquila ao lado da esposa e dois filhos até a Operação Hashtag. Foi indiciado, porém, não foi denunciado, teve alvará de soltura expedido, mas não foi liberado porque o juiz regrediu seu regime por causa da operação”, segue o post de Zaine.

A irmã lembra que apenas um dia após ser transferido da penitenciária de segurança máxima de Campo Grande (de acordo com mãe e filha, sem que a família ou advogada fossem sequer comunicadas), sofreu espancamento que resultou em traumatismo craniano e morte cerebral. “Onde está a justiça?”, pergunta a irmã do falecido.

Era perto do meio-dia de sexta-feira (14) passada quando Valdir foi cercado e espancado por pelo menos seis outros presos dentro da cela ocupada por ele.

A secretaria de Justiça e Direitos Humanos disse que o espancamento foi parado mediante intervenção dos agentes penitenciários. Não foi o suficiente. Socorrido e levado a um hospital, morreu horas depois.


Autor: RodivaldoRibeiro com DiariodeCuiaba


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