Quarta-Feira, 10 de Junho de 2026

Blairo Maggi garante apoio, mas descarta PP no secretariado de Taques




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Participação no secretariado, não, mas entrosamento político, sim. Esta é a versão oficial da relação do PP do ministro da Agricultura Blairo Maggi com o governo tucano de Pedro Taques. Mesmo assim, Taques admite que esteja conversando com os pepistas sobre cargos.

Ontem, no Palácio Paiaguás, o ministro e o governador entregaram cessão de uso do Parque Aquícola de Manso a pescadores. Ambos falaram sobre a relação política do PP com o governo, que dá os últimos retoques numa reforma administrativa e que não tem nenhum secretário daquele partido.

Taques não deu detalhes, mas assegurou que costura politicamente com o PP para a composição de sua equipe que terá novos nomes a partir de janeiro. O governador observou que os pepistas foram seus aliados na eleição em 2014 e que todos os prefeitos daquele partido integram sua base de sustentação. Então filiado ao PP, o vice-governador Carlos Fávaro compôs a chapa de Taques e posteriormente trocou aquela legenda pelo PSD.

Maggi descartou a participação de seus correligionários no governo. Argumentou que o partido não tem cadeira na Assembleia Legislativa e que nessa condição perde a capacidade de colaborar na esfera parlamentar estadual. No entanto, o ministro deixou claro que mantém o melhor relacionamento possível com o governador. Em outras palavras disse que política se faz na campanha, mas que fora dela dedica atenção total a Mato Grosso e que Taques sabe que pode contar com seu apoio no governo federal; quanto a isso observou que Taques tem trânsito total com o presidente Michel Temer, mas que mesmo assim ele sempre se coloca à sua disposição.

Em seu pronunciamento no evento Blairo Maggi disse que Pedro Taques não tem culpa pela grave crise que assola Mato Grosso, mas descartou que o Estado esteja quebrado, “o que acontece é simplesmente falta de fluxo de caixa”, explicou. A crise, segundo ele, nasceu da frustração da última safra, que sofreu uma quebra de 7 milhões de toneladas de grãos. Com a redução da colheita o governo arrecadou menos impostos sobre combustíveis, frete, comunicação, máquinas, peças e em vários outros setores, e, além disso, o problema no campo resultou em desemprego. Sob esse argumento o ministro defendeu o agronegócio mostrando que essa atividade é a mola que movimenta a economia mato-grossense.

Em clima de sintonia com Taques, Maggi defendeu que o governo federal precisa pagar o quanto antes uma dívida “juridicamente fundamentada” de R$ 450 milhões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) – vinculada ao seu ministério – com Mato Grosso, desde o governo de Dante de Oliveira, nos anos 1990. Além desse endividamento, a Conab tem outra dolorosa com o governo estadual, em torno de R$ 30 milhões, montante esse ainda discutível. Em recente viagem que fez ao Japão com o presidente Michel Temer, Blairo lhe pediu para que mandasse o Tesouro Nacional repassar os recursos à Conab, para que ele providencie a quitação. O ministro não vê facilidade em solucionar essa pendência, que ele quando governador também tentou resolver.

Dirigindo-se a Taques, Blairo disse que no ministério não se esquece um minuto sequer de seu compromisso com Mato Grosso, por sua condição de mato-grossense, por suas relações de amizades aqui, por seus negócios no estado, “Mato Grosso em primeiro lugar e os demais no segundo, no terceiro...”, concluiu.

PRESIDÊNCIA – Questionado por jornalistas se seus planos políticos incluem candidatura a presidente, Blairo foi evasivo. Respondeu com uma frase de efeito dizendo que não sai ao campo procurando cavalo para montar, mas que ele passar arreado em sua porta, sem dúvida que o montará.


Autor: Eduardo Gomes com Diário de Cuiabá


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