O deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) previu uma “catástofre política” em Mato Grosso caso seja confirmada a prática de eventual caixa dois na campanha do então candidato ao Governo Pedro Taques (PSDB), em 2014.
A possibilidade de uso de dinheiro não contabilizado, que se traduz em crime eleitoral, surgiu após a divulgação do conteúdo da delação premiada do empresário Giovani Guizardi, réu confesso no esquema de propina na Seduc (Secretaria de Estado de Educação).
Segundo ele, as fraudes na secretaria, com o direcionamento de obras e rateamento de propina, tinham como um dos objetivos “pagar o investimento” de R$ 10 milhões que teria sido feito pelo empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, na campanha do tucano.
Não é só caixa dois. Tem caixa dois e tem corrupção mesmo, segundo dizem. Isso é pior que uma pessoa em outras condições. O falso moralista sofre uma perda muito maior numa situação como esta
Bezerra, que é presidente do PMDB em Mato Grosso, classificou as declarações do delator como “graves”. “Acho que isso vai fazer um estrago político em Mato Grosso, pelo que a gente ouve por aí. Se tudo que estão comentando for verídico, vai ser uma catástrofe aqui no Estado”, disse.
O empresário Alan Malouf está preso em Cuiabá, desde a semana passada, suspeito de participar do esquema na Seduc. Na última sexta-feira (16), ele prestou depoimento de cerca de seis horas ao Gaeco e iniciou um procedimento para fazer delação premiada.
“Falso moralismo”
Bezerra também comentou o fato de o ex-secretário de Educação Permínio Pinto (PSDB) ter confessado que “permitiu’ e se omitiu sobre o esquema de propinas e fraudes em licitações que teria sido operado na secretaria.
“Não é só caixa dois. Tem caixa dois e tem corrupção mesmo, segundo dizem. Isso é pior que uma pessoa em outras condições. O falso moralista sofre uma perda muito maior numa situação como esta”, afirmou, sem citar nomes, mas "cutucando" o governador.
“Não sei se há envolvimento do governador. Temos que esperar a apuração. Não quero me precipitar e fazer pré-julgamentos antes que as investigações se concluam”, disse.
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Autor: Airton Marques com Midia News