Números apresentados ontem pela Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE apenas dimensionaram o tamanho da queda do comércio varejista de Mato Grosso, em 2016, retração de 9,6%. A redução, já esperada pelo segmento, foi sentida durante todo o ano passado nos balanços mensais e principalmente nos comparativos de datas especiais em relação ao mesmo momento do ano anterior, quando o saldo, teimava em sempre ficar abaixo do contabilizado em 2015. Além de encolher pelo segundo ano consecutivo, o varejo estadual retraiu mais que a média nacional, que conforme o IBGE foi de -6,2%.
Dos 27 estados brasileiros, apenas Roraima exibiu um pequeno crescimento anual de 1,2% sobre o realizado em 2015. O país registrou recuo anual no volume de vendas 6,2%. Ainda em relação ao desempenho ante 2015, as maiores quedas registradas pelo IBGE, foram no Amapá (-18,1%), no Pará (-13,1%), em Rondônia (-12,3%) e na Bahia (-12,1%). Já no Centro-Oeste, o Distrito Federal teve o maior recuo, 10%, seguido por Mato Grosso, -9,6%, Goiás, -9,3% e por fim, Mato Grosso do Sul, com -6,9%. No último trimestre do ano (outubro, novembro e dezembro), o varejo estadual fechou todos os meses com saldo negativo, -14,3, -11,9 e -12,4, respectivamente. Comportamento observado também nos outros estados da região.
Como foi divulgado logo após o Natal, pelo Diário, as vendas tiveram desempenho fraco, mas ficaram ainda em um patamar menos pessimista do que o espero, levando em conta o saldo do ano. “O apelo pela data, acabou falando mais alto. As pessoas compraram menos, consumiram com mais cautela, mas vieram às compras,”, disse logo após o balanço parcial das vendas de Natal, o vice-presidente da CDL/Cuiabá, Célio Fernandes.
Como destacou naquele momento, o segmento foi marcado durante todo o ano pelas incertezas da economia nacional, redução do poder aquisitivo, alta dos juros, do desemprego, bem como particularidades do nosso Estado e da nossa Capital. “Em todas as principais datas comemorativas do calendário comercial de 2016, as vendas, quando comparadas aos outros anos, tiveram desempenho muito inferior, as perdas que vínhamos contabilizando foram maiores ao longo do ano”.
BRASIL - As promoções da Black Friday, ocorridas em novembro, levaram parte dos consumidores a antecipar as compras de Natal, o que explica o recuo de 2,1% nas vendas do varejo em dezembro após uma alta de 1% no mês anterior. Como consequência, o desempenho registrado pelo comércio em dezembro foi o pior para o mês de toda a série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada em 2001 pelo IBGE.
“Foi o pior mês de dezembro, mostrando realmente as vendas mais negativas em 2016, mais até do que em 2015, com influência da antecipação de compras, mas também da conjuntura desfavorável”, lembrou Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.
Segundo Isabella, a Black Friday tem ajudado a aumentar as vendas em novembro há cinco anos. “A partir de 2011, a distância entre os patamares de vendas de novembro e dezembro vão diminuindo. Novembro está se confirmando como mês de antecipação (de compras). É basicamente promoção de comércio eletrônico. Com o passar dos anos, mais jovens vão entrando no mercado consumidor e usando o comércio eletrônico. Não é igual ao comércio físico, mas vai se aproximando”, avaliou a gerente do IBGE.
A desaceleração da inflação no País ajudou o comércio varejista a reduzir o ritmo de perdas no último trimestre de 2016, segundo Isabella Nunes. O volume vendido caiu 1,2% no quarto trimestre ante o terceiro trimestre do ano passado, após recuo de 1,6% no trimestre anterior, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio.
Autor: Mariana Peres com Diário de Cuiabá