Em Cuiabá, transcorridos quatro dias da reunião de um grupo oposicionista liderado pelo deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) e o senador Wellington Fagundes (PR), o PSDB do governador Pedro Taques promoveu ontem, uma mesa redonda com 11 partidos aliados.
O primeiro evento foi apresentado como formação de uma frente para enfrentar a eventual candidatura de Taques a reeleição. O segundo recebeu o rótulo de discussão de trabalho para maior desempenho administrativo do governo.
Não se pode negar que os governistas trataram de temas relacionados a obras, programas sociais, crise econômica e adoção de medidas impopulares, mas sem que isso significasse desconsiderar os aspectos políticos e eleitorais principalmente o fortalecimento do nome de Taques para a reeleição. Faltando menos de um ano e oito meses para a eleição as campanhas estão nas ruas, claro que ainda sem nomes, por mais que os líderes partidários tentem negar essa realidade.
O presidente do PSDB de Mato Grosso, deputado federal Nilson Leitão, recebeu Taques em seu diretório, numa mesa redonda com sua base aliada. Participaram o vice-governador Carlos Fávaro (PSD), o ex-senador Jayme Campos (DEM), os deputados federais Victorio Galli (PSC) e Fábio Garcia (PSB), a ex-senadora Serys Slhessarenko (PRB) e outros políticos representando o SD, PPS, PMN, PRN, PSDC, PSC e PRTB. Integrante do mesmo grupo o PV não compareceu, mas enviou justificativa para tanto. O PP não esteve presente.
Falando pelos partidos Leitão apresentou a versão que se tratava de uma reunião de aliados para discutirem questões de governo. Reforçando a explicação disse que espera que isso passe a acontecer mensalmente. Questionado se a mesa redonda era resposta à reunião da oposição ele saiu pela tangente, “pode até ser, mas acho que é mera coincidência”. O deputado acrescentou que reuniu os partidos porque recebia cobranças de aliados nesse sentido, pedindo para ampliar o diálogo com Taques.
Jayme observou que se tratou de boa iniciativa porque governo não se faz apenas administrativamente, mas principalmente ouvindo a sociedade e principalmente os partidos. Repórteres perguntaram ao ex-senador se a mesa redonda funcionou como uma espécie de conselho político de Taques. Ele respondeu que não, “é que o Pedro (Taques) está ampliando o debate franco com a sociedade e a classe política”.
Fávaro observou que “o foco não foi a reeleição, mas, sim, a gestão”; porém, o vice-governador deixou claro que o nome de Taques é natural enquanto candidato, mas que esse assunto deve ficar para o momento certo, em 2018. Ele também falou sobre a política de contenção de gastos do governo, que para alguns é considerada impopular.
No seu entendimento, impopular “é quebrar o Estado; é atrasar salários como fazem o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul”. Quanto a isso deixou claro que a bancada do PSD na Assembleia Legislativa “está 100% afinada com o governador”.
Após a mesa redonda Taques falou rapidamente com os jornalistas. Desconversou sobre reeleição, “só trato 2018 em 2018”, resumiu. Leitão botou ponto final sobre a questão. O deputado tucano disse que “nós temos candidato a governador” acrescentando que não há problemas quanto a isso porque o nome é o de Taques, “problema haverá se ele não quiser”, resumiu.
EZEQUIEL FONSECA – O deputado federal Ezequiel Fonseca (PP) participou da reunião dos oposicionistas e apontou falhas no governo Taques. No mesmo dia, disse ao Diário que não fazia oposição, mas que adotava a postura de aliado crítico. Quanto a Ezequiel, Leitão disse que o respeita muito e que Taques o receberá para uma reunião em separado. O tucano acrescentou que o ministro da Agricultura e senador licenciado Blairo Maggi e o empresário Eraí Maggi Scheffer, que são duas lideranças do PP, apoiam o governador.
A reunião da qual Ezequiel participou com Wellington e Bezerra foi divulgada como sendo um encontro do PMDB, PR, PPS, PSC, PC do B, PTB, PDT, PP e PT. No dia seguinte à sua realização o dirigente do PPS, Antônio Carlos Máximo, divulgou nota negando a participação de seu partido no ato para formação da frente de oposição.
Autor: AMZ Noticias com Eduardo Gomes