Segunda-Feira, 25 de Maio de 2026

JBS paralisa a compra de bovinos em unidades do estado de Mato Grosso




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Mesmo sem qualquer unidade frigorífica apontada nas denúncias da Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira pela Polícia Federal, Mato Grosso já começa a contabilizar os primeiros impactos negativos e concretos em sua economia. As unidades do JBS/Friboi, de em funcionamento nos municípios de Araputanga e Pontes e Lacerda, no oeste mato-grossense, suspenderam ontem as compras de bovinos em razão da estabilidade do mercado e assim evitar estoques. A JBS, juntamente com a BRF, é uma das empresas investigadas na Operação.

A JBS Friboi 40 unidades de processamento de bovinos e é em Mato Grosso que está a maior parte delas: 11. A assessoria do JBS/Friboi, por meio de nota, disse que “companhia está operando seu abate conforme o previsto nesta semana, no entanto, está avaliando o mercado e irá adotar as medidas necessárias para adequação do volume de produção à demanda de mercado”.

Ainda segundo fontes do mercado e alguns pecuaristas, o JBS teria anunciado a suspensão para todo o país entre quinta-feira até sábado, como forma de readequação dos estoques e reavaliação das escalas de abates.

A Operação, que desarticulou organização criminosa, no âmbito do Ministério da Agricultura, revelou um esquema envolvendo fiscais do Ministério na liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. Grandes empresas do setor são alvos da ação. A PF cumpriu mandados nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás, além do Distrito Federal.

A informação de que as compras dos animais foram suspensas desde ontem foi feita pelo deputado estadual, Wancley Carvalho (PV). O deputado frisa que há muita preocupação, em especial na região, que é a que mais concentra a atividade pecuária no Estado. O primeiro impacto é o achatamento sobre a arroba do boi e da vaca e depois, caso haja duração na recusa dos animais, o efeito cascata sobre o comércio e a geração de tributos à economia estadual como um todo.

“O agronegócio é responsável por 76% da economia de Mato Grosso. Essa operação dá um duro golpe num dos principais setores que movem a engrenagem econômica do nosso Estado. Somente em minha região {oeste}, duas grandes unidades já suspenderam compra de animais”, alertou o parlamentar.

Ainda segundo o deputado, apesar da investigação e a Operação serem necessárias para manter a credibilidade de carne brasileira, os efeitos podem colocar em risco a base de sustentação econômica do Estado, caso outras unidades adotem a mesma postura. O deputado Wancley é coordenador da Frente Oeste, frente parlamentar que defende e promove o desenvolvimento econômico e sustentável dos municípios do oeste mato-grossense.

 

De acordo com o mercado, o adiamento de abates deverá ser uma rotina nas próximas semanas, no país inteiro, em razão dos volumes que iriam para a exportação e deverão ser redirecionados ao consumo do mercado interno, o que reduz a necessidade de animais na fila de abates. Como alguns países suspenderam de imediato as importações e para evitar que os estoques do produto aumentem ainda mais, os frigoríficos estão fazendo um remanejamento dos abates.

 


Autor: Marianna Perez com Diário de Cuiaba


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