Terca-Feira, 02 de Junho de 2026

Mato Grosso registra em média três estupros por dia contra menores de 14 anos




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Dados estatísticos da Secretaria de Estado de Segurança Pública apontam que 216 crianças e adolescentes menores de 14 anos, foram estupradas este ano, até 26 de março. Os dados equivalem à média de três crianças vítimas de abuso sexuais todos os dias em Mato Grosso.

Além das meninas e meninos menores de 14, que caracteriza o crime de estupro de vulnerável, 47 adolescentes menores de 18 anos também foram estuprados no Estado em três meses.

Os dados seguem um padrão em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2016 foram registrados 242 casos de estupro de vulnerável (menores de 14 anos) e 32 crimes de estupro contra adolescentes com idades acima dos 14 e abaixo dos 18 anos.

Conforme a delegada Karla Cristina Peixoto Ferraz, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), de Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá), a maioria dos casos acontece no ambiente familiar.

“Esses estupros acontecem dentro de casa na grande maioria dos casos. Um pai, um padrasto, avô. Recentemente recebemos um caso em que a avó abusava da própria neta e foi o primeiro que eu vi dessa forma”, afirma a delegada, ao Repórter MT.

De acordo com a Sesp, houve 17 casos de estupro de vulnerável até 26 de março de 2017. Conforme a delegada, o número de registros é pequeno perto do número de situações não comunicadas.

“O número de denúncias é diretamente influenciado por essa proximidade com o agressor, onde a vítima passa a conviver com o medo. Os números de denúncias ainda são pequenos”, destacou.

Também é caraterizado estupro de vulnerável quando o ato é praticado contra pessoas, que não têm condições de decidir sobre consentir ou não com o ato sexual.

Conforme a delegada explica, isso ocorre muito quando as vítimas estão embriagadas ou sob efeito de drogas. Também é caraterizado estupro de vulnerável quando a vítima tem problemas mentais ou algum tipo de deficiência física.

Precauções

Conforme a delegada Karla Cristina, os pais e pessoas do círculo das crianças devem ficar atentos se as vítimas apresentarem mudanças repentinas de comportamento. Mas também ressalta a dificuldade da prevenção, uma vez que a própria família é a agressora em muitos casos.

“Saber onde a criança frequenta, com quem ela está, onde ela foi. Tudo isso porque é um crime muito difícil de se prevenir. É importante notar se a criança também está com a sexualidade acima da sua idade, porque esses são os primeiros indícios que a vítima apresenta”.

Conforme a delegada, “os principais denunciantes são as mães e as escolas, que geralmente notam um comportamento estranho da criança. O Conselho Tutelar também auxilia muito, pois também recebe as denúncias”.

A orientação para quem tenha conhecimento sobre algum tipo de abuso é procurar pessoalmente qualquer unidade da Polícia Civil e registrar um boletim de ocorrência (B.O). Caso o denunciante não se sinta à vontade e queira preservar sua identidade, as denúncias podem ser feitas de maneira anônima nos números 197 e 190 ou através da delegacia virtual.

 


Autor: Raul Bradock com Repórter MT


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