Jornal da Notícia
  Quarta-Feira, 10 de Junho de 2026

Mauro Zaque afirma que saiu do governo por não aceitar “escuta ilegal”




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Após a divulgação sobre a existência de grampos clandestinos feitos por membros da alta cúpula do atual governo estadual no programa de televisão Fantástico, que foi ao ar neste domingo (14), o promotor de Justiça Mauro Zaque, autor da denúncia feita à Procuradoria Geral da República (PGR) confirmou que este foi o motivo de sua saída do cargo de secretário de Segurança Pública em janeiro de 2016.

Por meio de nota e também em entrevista concedida ao Jornal da Capital FM, na manhã desta segunda-feira (15), Zaque confirmou que, no ano de 2015, recebeu uma denúncia anônima sobre o caso e apurou minimamente para ter certeza da veracidade, já que, enquanto secretário de Estado, não poderia instaurar investigação.

Diante da certeza e de provas, o caso foi levado ao conhecimento do governador, que confirmou a conversa com Zaque, durante coletiva de imprensa concedida na sexta-feira (12), no Palácio Paiaguás. O então secretário pediu a exoneração de pessoas supostamente envolvidas nos grampos ilegais de telefones de autoridades, políticos, jornalistas e advogados, mas não foi atendido pelo governador. Diante disso, ele saiu por não compactuar com o esquema e, após sair do staff de governo, já em janeiro deste ano, levou o caso para a PGR.

 “Eu tomei conhecimento, levei ao conhecimento do governador, aguardei uma posição dele, vi que essa posição não sairia, eu pedi pra sair do governo. Eu falei para o governador: Governador, eu não estou aqui pra te criar problema, eu estou aqui para resolver. Como secretário, eu estou aqui para resolver problema. Eu não estava mais confortável dentro do governo com esse tipo de coisa. Pedi pra sair. E eu peguei esses fatos e levei ao conhecimento do procurador-geral da República pra que ele tomasse ciência, adotasse as providências que entendesse cabíveis”, disse em entrevista à Rádio Capital FM.

Mauro Zaque ainda confirmou que, naquela época, pediu a exoneração do então comandante-geral da Polícia Militar, Zaqueu Barbosa, já que os grampos ilegais eram executados por PMs e também do então secretário da Casa Civil, Paulo Taques, que deixou o cargo na quinta-feira (11), após saber que o Fantástico estava apurando o caso.

 “Também, e outros nomes de outros coronéis porque se isso foi feito, tinha outros nomes envolvidos. Eu não estou acusando que foi o Zaqueu que fez, que foi fulano, que foi cicrano. Eu peço para que seja apurado porque eu não podia, naquele momento, na condição de secretário de Segurança, instaurar uma investigação. Secretário de Segurança não tem autonomia, não tem poder de investigação. Quem investiga isso é o Ministério Público. Ministério Público que detém a atribuição de exercer o controle externo da atividade policial”, explicou.

O promotor negou que, como colocado pelo governador Pedro Taques, ele tenha feito extorsão contra o chefe de Estado para conseguir tais exonerações. “Falaram que eu queria extorquir o governador porque eu queria demissão desse ou daquele. Isso não é extorsão, isso é dever de um agente público de bem ao tomar conhecimento de um fato, mesmo que esse fato não esteja devidamente comprovado, mas já com evidências. Tomar providência. Se eu falei pro governador que era importante a demissão de algumas pessoas, é porque eu sabia que era em razão da gravidade desses fatos e até para que esses fatos pudessem ser apurados em sua plenitude já naquele momento!”, defendeu.

 


Autor: Celly Silva com Gazeta Digital


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