Ricardo Saud, diretor do grupo J e F, controladora da JBS e outras empresas dos irmãos Joesley e Wesley Batista, entregou ao Ministério Público Federal (MPF) uma lista contendo os nomes de todos os políticos que disputaram as eleições de 2014 e que receberam recursos da empresa. Saud é o mesmo que, na semana passada, apareceu em gravação entregando mala com R$ 500 mil ao deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).
Segundo o executivo, que firmou acordo de delação premiada, naquele pleito, a companhia gastou quase R$ 600 milhões em doações a candidatos, sendo que somente uma pequena parcela ocorreu de forma lícita. O restante, segundo Saud, foram propinas e doações amarradas a trocas de favores.
“Desses R$ 500 milhões, quase R$ 600 milhões que nós estamos falando aqui, praticamente, se a gente tirar esses R$ 10, 15 milhões aqui, o resto tudo é propina. Tudo tem ato de ofício, tudo tem promessa, tudo tem alguma coisa”.
O executivo detalhou em seu depoimento e em documentos entregues ao MPF que a empresa pagou propina para 28 partidos na eleição de 2014. Do total de dinheiro destinado para tal, 1.829 candidatos foram beneficiados, somando todos os cargos.
Dentre os eleitos, estão 179 deputados estaduais em 23, 167 deputados federais de 19 partidos diferentes. Para o Senado, 28 candidatos receberam recursos para campanha, sendo que alguns disputaram e perderam a eleição para governador em seus estados, outros disputavam a eleição ou reeleição no Senado. Dentre os governadores eleitos, 16 receberam dinheiro da JBS, sendo quatro do PMDB, quatro do PSDB, três do PT, dois do PSB, um do PP e um do PSD, conforme o depoimento de Ricardo Saud, no dia 5 de maio aos procuradores da República Fernando Antônio Oliveira e Sérgio Bruno Fernandes.
Todos os nomes foram entregues em uma relação contendo 93 páginas e que foi divulgada pela versão online do jornal Estadão. Segundo Saud, mesmo os candidatos que receberam as propinas de forma indireta, deveriam saber da origem espúria do dinheiro por conta das relações dos partidos quanto ao financiamento de campanha eleitoral.
Políticos mato-grossenses
Na lista de doações entregue pelo executivo da JBS ao Ministério Público Federal, estão novamente os nomes já divulgados pelo Gazeta Digital como doação legal. O senador Wellington Fagundes (PR) recebeu R$ 1,85 milhão. Dentre os deputados federais, Carlos Bezerra (PMDB) recebeu R$ 1 milhão, Fábio Garcia (PSB) e Ságuas Moraes (PT) receberam R$ 150 mil cada um, Valtenir Pereira (PMDB) e Adilton Sachetti (PSB) receberam R$ 50 mil cada um e Victório Galli (PSC) recebeu R$ 30 mil.
Dentre os deputados estaduais, o presidente da Assembleia Legislativa Eduardo Botelho foi o que mais recebeu, R$ 350 mil. Max Russi, que atualmente ocupa a chefia da Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Setas) recebeu R$ 50 mil e Mauro Savi recebeu R$ 6.338 mil. Todos os parlamentares são do PSB.
Na lista de “doações disfarçadas”, o Gazeta Digital também detectou nomes de candidatos que não conseguiram se eleger em 2014. Lúdio Cabral (PT), que concorreu ao cargo de governador, recebeu R$ 509,3 mil, Hermínio Barreto (PR) recebeu 300 mil e Carlos Brito (PSB) recebeu R$ 50 mil.
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Autor: Celly Silva com Gazeta Digital